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segunda-feira, janeiro 26, 2026
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Maduro fora do poder, Delcy Rodriguez muda o tom e acena a Trump

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Após captura do presidente venezuelano pelos EUA, governo interino tenta abrir canal político e econômico para reduzir isolamento internacional

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, sinalizou neste domingo uma guinada estratégica no discurso oficial ao oferecer colaboração aos Estados Unidos em uma agenda de “desenvolvimento compartilhado”, dias depois da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças americanas. A declaração marca a primeira tentativa explícita de reposicionamento diplomático de Caracas desde a operação que retirou Maduro do comando do país e o levou sob custódia para responder a acusações criminais em Nova York.

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A fala de Rodríguez contrasta com a retórica adotada imediatamente após a ação americana, quando integrantes do alto escalão venezuelano classificaram o episódio como sequestro e violação da soberania nacional. Agora, o discurso é de apelo à legalidade internacional, redução das tensões militares e reabertura do diálogo político com Washington, em um momento de extrema fragilidade institucional e econômica.

A mudança de tom é interpretada nos bastidores como uma tentativa de ganhar tempo e preservar algum grau de controle político enquanto se negocia a sobrevivência do regime sem Maduro à frente. Foto @MiraFlores/Fotos Públicas

Em mensagem pública, a chefe interina do Executivo afirmou que busca “relações respeitosas” com os Estados Unidos e convidou o governo Donald Trump a cooperar dentro de um marco jurídico internacional. O gesto ocorre às vésperas da primeira audiência de Maduro diante da Justiça americana e num cenário em que a Venezuela enfrenta risco de colapso administrativo, pressão social interna e incerteza sobre o reconhecimento internacional do novo arranjo de poder em Caracas.

A mudança de tom é interpretada nos bastidores como uma tentativa de ganhar tempo e preservar algum grau de controle político enquanto se negocia a sobrevivência do regime sem Maduro à frente. Rodríguez, que acumula o cargo de ministra do Petróleo, concentra poder sobre o principal ativo estratégico do país e passa a ser a principal interlocutora em um eventual redesenho das relações bilaterais com os Estados Unidos.

Do lado americano, a resposta tem sido marcada por pressão direta. O governo Trump condiciona qualquer redução de sanções ou descompressão militar à abertura do setor petrolífero venezuelano a empresas dos Estados Unidos, à cooperação em ações de combate ao narcotráfico e ao desmonte de alianças regionais consideradas hostis a Washington. Declarações recentes do presidente americano também ampliaram o escopo da ameaça, citando possíveis ações contra outros países da América Latina e o enfraquecimento do regime cubano.

Nos bastidores diplomáticos, há resistência a uma transição liderada pela oposição tradicional. Trump já descartou apoiar a ascensão de Maria Corina Machado, avaliando que ela não reúne sustentação política suficiente para estabilizar o país. O vácuo de poder abre espaço para uma disputa silenciosa entre setores civis, militares e econômicos que orbitavam o governo Maduro.

Acusações e interesses

A captura de Maduro foi enquadrada pelos Estados Unidos como uma ação de cumprimento da lei para levá-lo a responder a acusações apresentadas desde 2020, que o vinculam a uma suposta estrutura de narco-terrorismo. A denúncia sustenta que o ex-presidente teria facilitado rotas internacionais de cocaína, usado estruturas do Estado para proteger carregamentos e mantido alianças com organizações criminosas transnacionais. As acusações foram ampliadas para incluir Cilia Flores, agora também investigada por crimes violentos.

Maduro nega todas as acusações e afirma ser vítima de perseguição política. Ainda assim, sua apresentação à Justiça americana aprofunda a crise de legitimidade do chavismo e enfraquece a narrativa de soberania usada por Caracas nos últimos anos. A situação também reabre o debate sobre o controle das reservas de petróleo venezuelanas, alvo histórico de sanções, disputas geopolíticas e negociações informais.

A oferta de cooperação feita por Delcy Rodríguez surge, portanto, menos como gesto ideológico e mais como movimento pragmático diante de um cenário em que a sobrevivência política do grupo no poder depende de acordos externos. O desfecho desse reposicionamento ainda é incerto, mas o episódio já redesenha o tabuleiro político regional e recoloca a Venezuela no centro de uma disputa que envolve justiça, petróleo e poder.

Interesses americanos na Venezuela

O movimento dos Estados Unidos em relação à Venezuela combina fatores econômicos, estratégicos e de segurança. O país sul-americano possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, hoje subexploradas devido a sanções e à deterioração da infraestrutura, o que desperta interesse direto de empresas americanas em retomar operações e garantir fornecimento energético em um cenário global instável. Além disso, Washington busca reduzir a influência de rivais geopolíticos na região, especialmente Rússia, China e Irã, que ampliaram presença financeira, militar e tecnológica em Caracas nos últimos anos. No campo da segurança, o combate ao narcotráfico e a grupos transnacionais ligados a rotas de drogas é usado como eixo central do discurso oficial. Há ainda o componente político: pressionar por uma reconfiguração do poder interno venezuelano que resulte em um governo mais alinhado aos interesses econômicos e diplomáticos dos EUA na América Latina

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