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sexta-feira, março 13, 2026
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Mais corpos são encontrados e número sobe para 130 em chacina policial no Rio

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Moradores da Penha denunciam massacre e levam corpos à Praça São Lucas; governo do estado confirma operação mais letal da história do Rio, com vítimas ainda sem identificação

POR SANDRA VENANCIO


O número de mortos após a megaoperação policial no Complexo da Penha e no Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, subiu para 134 nesta quarta-feira (29), segundo relatos de moradores e fontes locais. A ação, considerada a mais letal da história do estado, deixou a região em estado de choque e provocou protestos contra a violência das forças de segurança.

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Não foi operação, foi execução”, disse uma moradora que preferiu não se identificar. Foto Reprodução

Durante a madrugada, dezenas de moradores desceram dos morros carregando corpos até a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas — uma das principais vias da Penha. A cena, descrita por testemunhas como “devastadora”, refletiu a tentativa da comunidade de organizar o reconhecimento das vítimas, diante da ausência de informações oficiais e do medo que se espalhou após os confrontos.

https://twitter.com/jejezaum/status/1983460624849064131

Segundo o governo do Rio de Janeiro, 60 suspeitos e 4 policiais foram mortos na operação, mas moradores afirmam que o número é muito maior. Corpos foram encontrados em áreas de mata da Serra da Misericórdia, na região conhecida como Vacaria, e ainda há relatos de pessoas desaparecidas.

“Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido. É algo brutal e desumano num nível que não dá pra explicar”, afirmou o ativista Raull Santiago, que ajudou a remover corpos da mata com outros voluntários.

https://twitter.com/papel_em_branco/status/1983510920979489220

Os moradores optaram por deixar muitos corpos sem camisa para facilitar o reconhecimento por familiares, expondo tatuagens e marcas corporais. O Instituto Médico-Legal (IML) informou que o atendimento às famílias será feito no prédio do Detran, ao lado do instituto, com acesso restrito à Polícia Civil e ao Ministério Público.

Entidades de direitos humanos e organizações civis exigem uma investigação independente sobre a chacina. Para o Observatório da Segurança do Rio, a ação revela “a falência do modelo de confronto armado como política de segurança pública” e reacende o debate sobre o papel do Estado nas favelas cariocas.

Enquanto o governo classifica a operação como uma “grande ofensiva contra o crime organizado”, os moradores vivem o luto coletivo e a indignação. “Não foi operação, foi execução”, disse uma moradora que preferiu não se identificar.

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