Em depoimento prestado na tarde desta quinta-feira (02/06) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara Municipal de Campinas para apurar denuncias de irregularidades em procedimento adotados na Setec, a presidente da autarquia, Tereza Dóro voltou a colocar o chefe da Divisão Funerária, Erivelto Luis Chacon sob suspeita. “Descobrimos no almoxarifado, uma quantidade gigantesca de materiais, como luvas, aventais, pinças, instrumentos cirúrgicos e outras coisas. Não sei as razões de se manter um estoque tão grande, já que não seria para uso da Setec”, afirmou ela. A presidente disse suspeitar que o material tenha sido usado nos cursos de tanatopraxia (técnica de conservação de cadáveres), organizados por Chacon. De acordo com denúncias feitas pela imprensa no início deste ano, corpos eram usados nos cursos sem que as famílias fossem informadas, nem tivessem autorizado os procedimentos de manipulação dos corpos. Tereza Dóro disse ainda que pretende investigar o contrato entre a Setec e a Clínica Nossa Senhora da Conceição – que realiza autópsias e assina os atestados que passam pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO) no necrotério do Cemitério Nossa Senhora da Conceição, nos Amarais. Para ela, os médicos da clínica receberiam três vezes pelo mesmo serviço. “Eles são legistas; trabalham no Instituto Médico Legal e, por isso, recebem o governo do Estado. Só que montaram uma associação e passaram a receber também da Setec. Além disso, recebem uma terceira vez, para cada procedimento feito em corpos vindos de cidades vizinhas a Campinas”, disse ela. A presidente da Setec disse concordar com denúncias feitas por motoristas da Setec à CPI, segundo as quais, Erivelto preenchia formulários para a Clínica. Os funcionários disseram ainda que os médicos não cumpriam plantão e, em muitas oportunidades, assinavam os laudos sem nem mesmo ver o cadáver. Também à CPI, agentes funerários contaram aos vereadores que as famílias não eram devidamente informadas sobre os cursos de tanatopraxia. Tereza Dóro contou que uma sindicância foi aberta na autarquia justamente para apurar essas denúncias. De acordo com ela, o trabalho de apuração dos fatos foi concluído e o relatório deverá estar pronto até o início da próxima semana.




