Posts em redes tentam associar Viviane Barci ao caso, mas não há vínculo com as fraudes investigadas pela PF
A tentativa de vincular Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, ao colapso do Banco Master ganhou força nas redes, mas não se sustenta na investigação oficial. O escritório da advogada prestou serviços jurídicos à instituição, sem participação nas operações que motivaram a liquidação do banco e a prisão de seu presidente, Daniel Vorcaro.
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O conteúdo que circula em perfis do Instagram sustenta que Alexandre de Moraes teria determinado a remoção de publicações que associavam sua esposa ao escândalo do Master. A verificação dos fatos mostra outro cenário: o escritório Barci de Moraes, onde atuam Viviane e dois dos filhos do casal, foi contratado pelo banco para representá-lo em algumas ações judiciais, conforme documentos já divulgados e confirmados por fontes internas da instituição.

Essa atuação se limita a serviços jurídicos convencionais, sem ligação com o núcleo da investigação que levou a Polícia Federal a deflagrar a Operação Compliance Zero. A ofensiva mira um esquema de emissão de títulos de crédito falsos, conduta atribuída à alta cúpula do banco e que resultou na prisão preventiva de Vorcaro e na liquidação da instituição pelo Banco Central.
A operação é considerada a maior já enfrentada pelo Fundo Garantidor de Créditos, com impacto estimado em R$ 41 bilhões — valor destinado ao ressarcimento de correntistas prejudicados. Nada nos autos, até aqui, aponta qualquer participação de advogados externos no esquema que gerou o rombo.
A narrativa disseminada nas redes tenta, ainda, sugerir que o ministro teria determinado a retirada de conteúdo para proteger familiares. Não há registro público de ordem judicial com esse teor. Especialistas que acompanham o caso apontam que a difusão desse tipo de alegação costuma se intensificar em momentos de grande repercussão envolvendo alvos da extrema direita, que buscam desgastar ministros do Supremo.
Alvo político e distorções
O colapso do Banco Master tornou-se rapidamente munição no debate político. O fato de Moraes ser alvo constante de ataques organizados nas redes amplia a circulação de conteúdos distorcidos envolvendo sua família. Relatórios de monitoramento digital citam que perfis alinhados ao bolsonarismo vêm impulsionando versões sem base documental, conectando o caso a narrativas já usadas em outras crises.
Com a imposição de sigilo máximo no STF sobre ação apresentada por Daniel Vorcaro, aumentam as especulações sobre o alcance da investigação. O foco, porém, segue restrito à conduta da direção do banco e à possível participação de agentes públicos mencionados em documentos apreendidos. Não há, até o momento, indicação de que escritórios contratados para atuação ordinária figuram entre investigados.




