Ministério Público cumpre prisões e investiga infiltração em órgãos públicos, extorsão e possível vazamento de informações sigilosas para facção criminosa

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O Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (9) a Operação Infiltrados, que resultou na prisão de três pessoas suspeitas de atuar em benefício do Primeiro Comando da Capital (PCC) a partir de posições estratégicas ocupadas em instituições ligadas à segurança pública e ao sistema de Justiça. Entre os presos estão Maurício Aparecido de Oliveira, ex-chefe de investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, um ex-policial civil e um ex-estagiário do próprio Ministério Público que atualmente atua como advogado.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os investigados são suspeitos de integrar um esquema de extorsão contra alvos de investigações e de participação em ações relacionadas ao planejamento de um atentado contra o promotor Amauri Silveira Filho, integrante do Gaeco.
Suspeita de infiltração em órgãos do Estado
Além das prisões temporárias, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso. As diligências também alcançaram um policial penal, que permanece investigado, e um escritório de advocacia ligado ao ex-estagiário do Ministério Público.
De acordo com as investigações, o então estagiário teria utilizado o acesso a sistemas internos do MP para consultar informações sigilosas e identificar investigados com elevado poder econômico. A suspeita é que esses dados fossem utilizados para extorquir pessoas sob investigação, mediante promessas de proteção ou acesso privilegiado a informações sobre procedimentos em andamento.
A apuração ganhou força após a análise de mensagens encontradas no celular de Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como “Dragão”. Segundo o Gaeco, conversas apreendidas apontariam a cobrança de R$ 500 mil para evitar o compartilhamento de informações relacionadas a investigações envolvendo o grupo criminoso.
Os promotores afirmam que o ex-estagiário deixou a promotoria poucas semanas após operações que tinham “Dragão” como alvo e passou a trabalhar em um escritório de advocacia que também foi alvo de buscas nesta terça-feira.
Maurício Aparecido de Oliveira é investigado por um episódio considerado sensível pelos órgãos de controle. Conforme o Gaeco, ele teria se reunido com um dos suspeitos de participação no plano de assassinato do promotor Amauri Silveira Filho apenas uma semana antes da deflagração da Operação Pronta Resposta, levantando suspeitas sobre eventual vazamento de informações sigilosas.
A Operação Infiltrados é um desdobramento direto de investigações anteriores conduzidas pelo Gaeco. A Operação Pronta Resposta, realizada em 2025, apurou um suposto plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho. Já a Operação Off White investigou um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas e a integrantes do PCC.
Segundo os investigadores, a conexão entre os casos sugere a existência de uma rede de cooptação de agentes com acesso a informações estratégicas do Estado. O objetivo agora é identificar a extensão do suposto compartilhamento de dados sigilosos e verificar se outros agentes públicos participaram do esquema.
Em nota, o Ministério Público de São Paulo informou que as instituições envolvidas estão atuando de forma conjunta para apurar os fatos e reforçar os mecanismos de controle interno. O órgão destacou que a investigação continua em andamento e que os suspeitos terão garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório durante o processo.
As defesas dos investigados não haviam se manifestado publicamente até a última atualização desta reportagem.




