
Terceira fase da investigação sobre exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro cumpriu três mandados na cidade; alvo é apontado pelo Gaeco como fornecedor de máquinas caça-níqueis para grupo investigado em Minas Gerais
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A terceira fase da Operação Trevo do Infortúnio apreendeu R$ 63.231 em dinheiro, além de 424.010 guaranis paraguaios e 730 euros, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em Campinas nesta quarta-feira (7). A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberlândia (MG), apura um esquema de exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro com ramificações em diferentes estados.
Em Campinas, foram expedidos três mandados de busca para imóveis nos bairros Jardim Boa Esperança e Parque Via Norte. No endereço do Jardim Boa Esperança, além do dinheiro em reais e das moedas estrangeiras, as equipes apreenderam diversos equipamentos eletrônicos, que serão submetidos à análise dos investigadores.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o alvo das buscas na cidade é investigado por supostamente atuar como um dos principais fornecedores de máquinas caça-níqueis para uma organização criminosa investigada em Uberlândia. De acordo com as apurações, equipamentos relacionados à empresa do investigado teriam sido utilizados em atividades de exploração de jogos de azar nos estados de Minas Gerais, Tocantins e Goiás.


A investigação também apura a forma como os equipamentos eram formalmente fornecidos. Segundo o Gaeco, máquinas teriam sido disponibilizadas por meio de contratos de locação e documentos fiscais considerados falsos pelos investigadores. A suspeita é de que a remuneração do fornecedor estivesse vinculada a um percentual do dinheiro arrecadado pelas máquinas.
Outro ponto investigado envolve a circulação dos recursos. Conforme o MPMG, foram identificados pagamentos em dinheiro e por meio de cheques, além de movimentações realizadas com a participação de terceiros. Para os investigadores, essas operações poderiam ter sido utilizadas para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos valores.
A operação em Campinas contou com a participação do Gaeco local e do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep). Também participam das investigações as polícias Militar, Civil e Penal de Minas Gerais.
A Operação Trevo do Infortúnio teve início em dezembro de 2022, com buscas em Uberlândia. A segunda fase ocorreu em abril de 2023 e cumpriu 26 mandados contra empresas, empresários e pátios de veículos em Uberlândia, Ituiutaba e Araguari, em Minas Gerais, e Goiânia, em Goiás. Naquela etapa, a Justiça determinou a indisponibilidade de patrimônio de 23 investigados para garantir até R$ 36 milhões em bens e valores.
Segundo o MPMG, cinco pessoas foram denunciadas no decorrer da investigação. Também foram firmados três acordos de colaboração premiada e 11 acordos de não persecução penal. O Ministério Público afirma que as medidas adotadas no caso já possibilitaram a recuperação efetiva de mais de R$ 27 milhões para o Estado.
Nesta terceira fase, a operação ainda estava em andamento no momento da divulgação das informações e não havia registro de prisões em Campinas. O dinheiro, as moedas estrangeiras e os equipamentos apreendidos serão analisados para verificar sua relação com as atividades investigadas. As acusações e suspeitas ainda dependem da conclusão das investigações e das decisões judiciais.


