
Levantamentos divulgados às vésperas do primeiro turno colocavam Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, enquanto o resultado oficial terminou com o candidato do PL na liderança; em São Paulo, pesquisas para governador ficaram mais próximas da votação registrada
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As pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos dias antes do primeiro turno das eleições de 2026 passaram a ser comparadas com os resultados das urnas após a apuração deste domingo (4). A principal diferença apareceu na disputa presidencial: os levantamentos finais dos principais institutos colocavam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL), enquanto o resultado oficial terminou com Flávio em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Na pesquisa Datafolha divulgada na véspera da votação, Lula aparecia com 45% dos votos válidos e Flávio com 42%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento havia entrevistado 4.006 eleitores nos dias 2 e 3 de outubro. A Quaest, também divulgada no sábado (3), registrava Lula com 46% e Flávio com 45% dos votos válidos, igualmente dentro da margem de erro. A pesquisa ouviu 3.702 eleitores.
Outros levantamentos apresentaram números diferentes. A Palver colocava Flávio à frente de Lula no voto estimulado, com 47% contra 43%, enquanto a pesquisa CNT/MDA indicava Lula com 47,8% dos votos válidos e Flávio com 42,1%. As diferenças entre os institutos mostram que, na reta final, não havia uma fotografia única do eleitorado.
O resultado das urnas, porém, modificou a ordem apresentada pela maior parte das pesquisas finais. Com quase 100% da apuração, Flávio tinha 47,03% dos votos válidos e Lula 45,16%, diferença inferior a dois pontos percentuais. Foi a menor diferença entre os dois primeiros colocados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização, segundo dados publicados após a apuração.
A comparação precisa ser feita também em outras disputas. Em São Paulo, por exemplo, as pesquisas para governador chegaram mais próximas do resultado oficial. Tarcísio de Freitas (Republicanos) terminou o primeiro turno com 62,65% dos votos válidos. O Paraná Pesquisas havia registrado 60,3%, Datafolha e Quaest apontavam 60%, enquanto a AtlasIntel indicava 57,4%.
Nesse caso, mesmo considerando as respectivas margens de erro, os levantamentos apontavam corretamente a ordem dos dois primeiros colocados e chegaram mais próximos da votação efetivamente registrada. O resultado paulista mostra que o comportamento dos institutos não foi uniforme em todas as disputas e que a avaliação da precisão das pesquisas precisa ser feita eleição por eleição e cargo por cargo.
A diferença entre pesquisa e resultado não permite, isoladamente, concluir que houve manipulação dos levantamentos ou interferência no processo eleitoral. Uma pesquisa eleitoral representa uma amostra de eleitores entrevistados em determinado período, enquanto a votação reúne o conjunto dos eleitores que efetivamente compareceram às urnas. Entre uma entrevista e a abertura das urnas podem ocorrer mudanças de intenção de voto, voto útil, abstenção e alterações na participação de diferentes grupos do eleitorado.
O que os números permitem afirmar é que as pesquisas presidenciais finais não reproduziram a ordem registrada nas urnas. A maioria dos levantamentos divulgados antes da votação colocava Lula à frente ou em empate técnico com Flávio, enquanto o resultado oficial terminou com o candidato do PL na primeira colocação.
A partir desse resultado, a discussão sobre a metodologia das pesquisas ganha um novo elemento: verificar quais grupos de eleitores foram sub ou super-representados nas amostras, como os institutos trataram a abstenção e o voto útil e em que medida mudanças ocorridas nas últimas horas antes da votação podem explicar a distância entre os levantamentos e as urnas. São questões diferentes de uma acusação de fraude e precisam ser analisadas a partir dos microdados e das metodologias registradas no Tribunal Superior Eleitoral.


