Relatório da Operação Compliance Zero cita conversas envolvendo pedido de financiamento de R$ 22 milhões; presidente da Câmara afirma que operação ocorreu dentro da legalidade

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), aparece em diálogos analisados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master. Segundo informações reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pelo g1, mensagens obtidas pelos investigadores mostram tratativas entre Motta e o empresário Daniel Vorcaro sobre a liberação de um empréstimo para uma empresa ligada à família do parlamentar.
De acordo com a investigação, as conversas tratariam da concessão de pelo menos R$ 22 milhões em crédito para uma empresa pertencente a Bianca Medeiros, irmã de Luana Motta, esposa do presidente da Câmara. As negociações teriam ocorrido em março de 2024.
Questionado sobre o assunto, Hugo Motta não respondeu se atuou diretamente para viabilizar o financiamento. Em nota, afirmou apenas que a operação de crédito ocorreu dentro da legalidade e seguiu os procedimentos previstos para esse tipo de transação.
VIAGEM A PORTUGAL
O nome de Hugo Motta também aparece em outro trecho do relatório da Polícia Federal relacionado a uma viagem realizada a Portugal em 2024. Nesta quarta-feira (17), o deputado confirmou ter viajado em aeronave pertencente a Daniel Vorcaro e admitiu que parte de sua hospedagem em Lisboa foi custeada pelo então banqueiro.
Segundo Motta, o convite para a viagem partiu do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O presidente da Câmara afirmou ainda que, na época, não havia conhecimento público sobre eventuais irregularidades envolvendo Vorcaro.
O parlamentar declarou que o empresário teria pago apenas duas diárias de hospedagem durante a estadia em Portugal. Entretanto, documentos reunidos pela Polícia Federal apontam uma versão diferente.
O QUE DIZ O RELATÓRIO
De acordo com o material tornado público após decisão do Supremo Tribunal Federal, investigadores identificaram mensagens entre Vorcaro e um auxiliar nas quais o então banqueiro solicita a reserva de dois quartos em Lisboa para “Ciro e Hugo”.
Dias depois, o auxiliar informou que duas suítes haviam sido reservadas no hotel Four Seasons. Em uma das conversas analisadas, o funcionário solicita a lista dos convidados, e Vorcaro encaminha uma relação de nomes que incluía Hugo Motta e Ciro Nogueira.
A Polícia Federal sustenta que o ex-banqueiro oferecia tratamento privilegiado a determinadas autoridades, incluindo pagamento de passagens, hospedagens e despesas em viagens internacionais.
INVESTIGAÇÃO EM CURSO
Os documentos fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura possíveis fraudes financeiras e relações entre agentes públicos e executivos ligados ao Banco Master. Vorcaro encontra-se preso preventivamente em Brasília por determinação judicial relacionada às investigações.
Até o momento, Hugo Motta não é apontado pela Polícia Federal como investigado por crimes no caso. A divulgação das mensagens ocorre após o Supremo Tribunal Federal retirar o sigilo de parte dos documentos produzidos pela investigação.
O caso segue sob análise da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e do STF, que deverão avaliar se os elementos reunidos justificam novas diligências ou eventual abertura de procedimentos contra outras pessoas citadas nos relatórios.




