Instabilidade recorrente cancelou atendimentos, gerou revolta de usuários e mobilizou Polícia Militar e Samu na unidade

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Usuários do Poupatempo de Campinas enfrentaram mais um dia de transtornos na sexta=feira (6), após uma nova queda no sistema de atendimento que comprometeu agendamentos e provocou longas filas na unidade. A instabilidade afetou serviços em todo o estado de São Paulo, segundo relatos de funcionários, e deixou dezenas de cidadãos sem atendimento, incluindo idosos, pessoas com deficiência e famílias com crianças pequenas.


A reportagem acompanhou a situação no local e constatou cenas de indignação entre os usuários. Na fila havia uma senhora de aproximadamente 90 anos em cadeira de rodas, idosos utilizando andadores, pessoas com deficiência e responsáveis por crianças de colo aguardando por informações sobre a continuidade dos atendimentos. Muitos relataram incerteza sobre a remarcação dos serviços e ausência de orientações claras por parte da administração da unidade.
SISTEMA EM COLAPSO
O momento mais tenso ocorreu quando um idoso, com idade estimada entre 85 e 90 anos, passou a discutir com funcionários após alegar dificuldades para obter uma senha de atendimento. Bastante alterado, ele protestava contra a situação e exigia uma solução para o problema. A Polícia Militar foi acionada e compareceu ao local para intermediar a ocorrência.
Após diálogo com os policiais, o homem foi convencido a deixar o local portando a senha de atendimento. Em razão de seu estado emocional e das condições de saúde observadas durante a ocorrência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foi acionado para prestar assistência.
Funcionários ouvidos pela reportagem afirmaram que a queda do sistema atingiu unidades do Poupatempo em diversas cidades do estado. Segundo os relatos, mesmo quando parte dos serviços sem operação, os guichês continuavam apresentando instabilidade, tornando lento o atendimento ao público. Uma funcionária informou, sob condição de anonimato, que os problemas técnicos são recorrentes e afetam frequentemente a rotina da unidade.
A situação também levantou questionamentos sobre a inexistência de um plano emergencial para garantir a continuidade dos serviços em casos de falha tecnológica. Usuários reclamaram que não houve adoção de procedimentos alternativos, como distribuição manual de senhas ou organização de filas por ordem de chegada, o que poderia minimizar os impactos para a população mais vulnerável.
CENTRALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS AUMENTOU DEMANDA
As reclamações sobre o atendimento no Poupatempo de Campinas também ocorrem em um contexto de mudanças na prestação de serviços públicos nos últimos anos. Com o fechamento de unidades e postos de atendimento no Centro da cidade, parte significativa da demanda foi concentrada em menos estruturas físicas, aumentando o fluxo de usuários em determinados pontos de atendimento.
Outra alteração que vem sendo alvo de críticas de cidadãos é a mudança nos procedimentos relacionados à renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Serviços que anteriormente podiam ser realizados quase integralmente por meios digitais passaram a exigir etapas presenciais ou deslocamentos para realização de exames e validações, ampliando a dependência dos agendamentos no sistema do Poupatempo.
Usuários ouvidos pela reportagem afirmam que a combinação entre a centralização dos serviços, o aumento da demanda e as frequentes instabilidades tecnológicas tem provocado dificuldades para quem depende dos atendimentos públicos. O problema afeta especialmente idosos, pessoas com deficiência e trabalhadores que precisam faltar ao emprego para comparecer às unidades em horários previamente agendados.
Especialistas em administração pública apontam que processos de digitalização devem ser acompanhados por investimentos em infraestrutura tecnológica, redundância de sistemas e protocolos de contingência. Sem esses mecanismos, falhas técnicas podem interromper serviços essenciais e gerar impactos diretos para a população.
O Jornal Local solicitou posicionamento da direção da unidade do Poupatempo de Campinas e da administração estadual responsável pelo serviço sobre as falhas registradas, a frequência das interrupções, os impactos da centralização dos atendimentos e a existência de protocolos de contingência. O espaço permanece aberto para manifestação.




