Senado tem votação decisiva sobre proposta que prevê fim da escala 6×1

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Para as empresas, a adaptação poderá exigir reorganização de turnos, revisão de contratos e, em algumas atividades, novas contratações. Foto Tomaz Silva/Agencia Brasil

PEC prevê redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários; texto ainda precisa superar novas etapas antes de entrar em vigor

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O Senado Federal tem prevista para esta quarta-feira (14) a votação em primeiro turno da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e a garantia de dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. A proposta está no centro do debate sobre o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de trabalho para cada dia de folga. Para ser aprovada em cada turno, uma PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores.

A inclusão da matéria na pauta foi articulada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em meio à pressão de parlamentares favoráveis à mudança e às manifestações de setores que pedem mais tempo para avaliar os efeitos econômicos e trabalhistas da medida.

A votação em primeiro turno não significa que a nova jornada entrará imediatamente em vigor. Como se trata de uma alteração constitucional, o texto ainda precisa cumprir as etapas regimentais, ser aprovado em segundo turno e alcançar novamente o mínimo de 49 votos favoráveis.

O que muda para os trabalhadores

A proposta estabelece a redução do limite semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado por semana e preferência para que um deles seja o domingo. O objetivo é substituir a organização tradicional de seis dias de trabalho por um de descanso por uma jornada que assegure mais tempo livre aos trabalhadores.

O texto também mantém o limite de oito horas diárias e determina que a redução da jornada não resulte em diminuição salarial. A aplicação das novas regras, entretanto, dependerá da redação final aprovada pelo Congresso e das disposições previstas para cada categoria profissional.

A mudança pode afetar a organização de escalas, a contratação de pessoal e os custos operacionais de empresas que funcionam continuamente. Representantes favoráveis à redução defendem a ampliação do descanso e a melhoria das condições de vida dos trabalhadores. Já setores contrários ou cautelosos apontam possíveis impactos sobre despesas com pessoal e funcionamento das atividades econômicas.

Esses efeitos dependerão de fatores como o setor de atividade, a produtividade, os acordos coletivos e a forma de implementação da jornada.

Quais etapas ainda faltam

Se a PEC for aprovada em primeiro turno, o Senado deverá cumprir as etapas restantes de discussão e realizar a votação em segundo turno. A proposta precisará novamente de pelo menos 49 votos favoráveis.

O texto poderá receber alterações durante a tramitação. Se o Senado modificar a redação aprovada pela Câmara dos Deputados, a proposta deverá retornar aos deputados para nova análise. Se as duas Casas aprovarem exatamente o mesmo texto, a emenda poderá ser promulgada pelo Congresso Nacional, sem sanção presidencial.

A possibilidade de concluir a votação ainda em outubro depende do cumprimento das regras regimentais e de eventual acordo para acelerar a tramitação. Qualquer mudança nos prazos dependerá das decisões formais do Senado.

Implementação gradual

A proposta apresentada prevê uma transição para permitir a adaptação de empregadores e trabalhadores. Pelo cronograma descrito no texto, a primeira etapa reduziria a jornada máxima de 44 para 42 horas semanais e garantiria dois dias de descanso remunerado. Na etapa seguinte, prevista para 12 meses depois, o limite seria reduzido para 40 horas semanais.

Assim, a aplicação integral ocorreria aproximadamente 14 meses após a promulgação, caso esse cronograma seja mantido na redação definitiva.

O texto também prevê regras específicas para determinadas atividades essenciais, que poderão adotar escalas diferenciadas mediante negociação coletiva. Há ainda disposições sobre trabalhadores com remuneração elevada e previsão de regulamentação complementar para microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.

Impacto econômico e social

A discussão sobre o fim da escala 6×1 envolve interesses de trabalhadores, empregadores e diferentes setores da economia. Para quem trabalha seis dias por semana, a mudança pode representar mais tempo para descanso, convivência familiar, estudo e lazer. Para as empresas, a adaptação poderá exigir reorganização de turnos, revisão de contratos e, em algumas atividades, novas contratações.

O resultado da votação em primeiro turno deverá indicar o nível de apoio político à proposta no Senado. A definição sobre o alcance e o calendário da mudança, porém, dependerá da conclusão da tramitação e da redação constitucional que vier a ser promulgada.

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