Janones cria operação digital para ampliar apoio a Lula no segundo turno

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Para Janones, o presidente deveria aparecer menos em produções formais e mais em situações capazes de mostrar sua rotina e sua relação com eleitores. Foto Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

Deputado federal reeleito afirma ter tomado a iniciativa por conta própria e transformou canal no WhatsApp, que tinha cerca de 50 mil integrantes antes do primeiro turno, em uma estrutura com mais de 1 milhão de membros

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Menos de 48 horas após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminar o primeiro turno das eleições atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o deputado federal André Janones (Rede-MG) anunciou uma operação para ampliar a presença digital do presidente e tentar aproximá-lo dos eleitores durante as três semanas que antecedem o segundo turno.

Janones, reeleito deputado federal no domingo (4), afirmou à Folha de S.Paulo que tomou a iniciativa por conta própria. Segundo ele, a campanha precisa mudar a forma de comunicação nas redes sociais para tentar conquistar votos no segundo turno. “Não vou mais ficar esperando a campanha, temos três semanas para virar a eleição. Todos me ouvem, nada acontece”, declarou.

A operação nas redes

O deputado decidiu transformar em uma espécie de central digital o canal “Exército do Lula”, criado em abril no WhatsApp. Segundo Janones, o canal tinha aproximadamente 50 mil integrantes até a votação do primeiro turno. Na terça-feira (6), porém, já havia ultrapassado 1 milhão de membros.

A estratégia anunciada prevê o envio de orientações aos participantes para ampliar a rede de apoiadores. Entre as ações está o pedido para que integrantes convidem outras três pessoas para participar do canal.

Janones afirmou que pretende dedicar os dias seguintes à ampliação da estrutura e estabeleceu como meta chegar a entre 2 milhões e 3 milhões de seguidores.

A proposta é coordenar a divulgação de conteúdos favoráveis a Lula em diferentes plataformas digitais. Para isso, Janones também convocou influenciadores, políticos e produtores de conteúdo com grandes audiências para ajudar a divulgar o canal.

Ele orientou perfis com grande número de seguidores a realizar collabs no Instagram, recurso que permite que uma mesma publicação apareça simultaneamente nos perfis dos participantes, ampliando o alcance do conteúdo.

“Comunicação unificada é algo que não tivemos nesses quatro anos de governo. É para o país inteiro falar só sobre esse assunto”, afirmou.

Crítica à comunicação do governo

Janones também criticou a estratégia de comunicação utilizada pelo governo Lula nas redes sociais. Segundo o deputado, a comunicação presidencial não estaria utilizando a linguagem própria das plataformas digitais.

O parlamentar defendeu a produção de vídeos mais simples, gravados inclusive por telefone celular, mostrando Lula em situações do cotidiano e em contato direto com beneficiários de programas sociais. Para Janones, o presidente deveria aparecer menos em produções formais e mais em situações capazes de mostrar sua rotina e sua relação com eleitores.

“A maneira como o presidente se comunica nas redes sociais é ultrapassada, analógica. Não é só distribuir conteúdo, é falar a linguagem das redes”, afirmou.

Ele também defendeu uma mudança na apresentação pública de Lula, com maior presença em comunidades e em situações cotidianas.

Estratégia já havia sido anunciada

Janones afirmou que já vinha acompanhando o comportamento das redes sociais durante a campanha. Em agosto, segundo a reportagem da Folha, ele publicou uma avaliação de que Flávio Bolsonaro poderia ultrapassar Lula nas pesquisas.

Um mês depois, voltou a alertar que o bolsonarismo poderia concentrar votos de outras candidaturas e aumentar sua votação por meio do chamado voto útil.

O deputado afirmou que recebeu críticas de integrantes da militância de esquerda pelas previsões, mas manteve a avaliação com base no que acompanhava nas redes sociais.

Janones foi um dos principais nomes da estratégia digital da campanha de Lula em 2022 e atualmente reúne cerca de 3 milhões de seguidores no Instagram, 1 milhão no X e 1,5 milhão no TikTok, segundo os números apresentados na reportagem.

Conselho de comunicação

Com o crescimento do canal “Exército do Lula”, Janones avalia criar um conselho formado por políticos e pessoas consideradas experientes em redes sociais para discutir a estratégia e a administração da estrutura.

Entre os nomes citados por ele estão Ana Elisa Santos Silva, eleita deputada federal pelo PT-MG; Pedro Campos (PSB-PE), deputado federal reeleito; João Campos (PSB-PE), ex-prefeito do Recife; Gleisi Hoffmann (PT-PR), candidata ao Senado; Lindbergh Farias (PT-RJ), deputado federal reeleito; Renato Freitas (PT-PR), eleito deputado federal; Guilherme Cortez (PSOL-SP), eleito deputado federal; e Luna Zarattini (PT-SP), também eleita para a Câmara e Thiago Reis (PT/SP) eleito deputado federal.

Janones afirmou que ainda não havia procurado os nomes para formalizar a composição.

A operação ocorre em um segundo turno com três semanas de campanha e uma disputa concentrada também nas redes sociais. A estratégia anunciada pelo deputado é ampliar rapidamente a estrutura de comunicação digital e organizar apoiadores para aumentar a circulação de conteúdos relacionados à campanha de Lula.

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