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sexta-feira, maio 15, 2026
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STF apura emenda parlamentar para produtora de filme sobre Bolsonaro e tenta intimar Mário Frias há mais de um mês

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Oficiais de Justiça não conseguiram localizar o deputado do PL-SP para que ele responda a questionamentos do ministro Flávio Dino sobre repasses públicos destinados a entidades ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, filme previsto para estrear antes das eleições

A suspeita levantada na petição é de possível dificuldade de rastreamento dos recursos públicos por meio de uma rede de entidades privadas interligadas. Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

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O deputado federal Mário Frias está há mais de um mês sem ser formalmente intimado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para prestar esclarecimentos sobre a destinação de emendas parlamentares relacionadas a entidades ligadas à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ordem foi expedida em março pelo ministro Flávio Dino, relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854.

Segundo registros do processo, oficiais de Justiça estiveram ao menos três vezes no gabinete do parlamentar, na Câmara dos Deputados, entre março e abril. Assessores informaram que Frias estaria em São Paulo cumprindo agenda política e não forneceram detalhes sobre sua localização ou agenda oficial. O caso amplia a pressão sobre o parlamentar em meio à crescente investigação sobre o uso de recursos públicos destinados ao setor cultural durante o período pré-eleitoral.

A ação foi provocada por representação da deputada federal Tabata Amaral, que questiona o envio de aproximadamente R$ 2 milhões em emendas para a Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama. A empresária também dirige o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse.

A denúncia surgiu após reportagem do The Intercept Brasil apontar que entidades ligadas ao mesmo núcleo empresarial receberam recursos indicados por parlamentares do PL, incluindo Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon. A suspeita levantada na petição é de possível dificuldade de rastreamento dos recursos públicos por meio de uma rede de entidades privadas interligadas.

Nos autos enviados ao STF, Tabata sustenta a hipótese de um “grupo econômico informal” operando simultaneamente em projetos culturais e audiovisuais com forte conteúdo ideológico. A parlamentar pede apuração sobre eventual desvio de finalidade no uso das verbas públicas e possível financiamento indireto de uma produção cinematográfica com impacto político-eleitoral.

Já os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon responderam ao STF dentro do prazo estabelecido por Flávio Dino. Pollon confirmou ter destinado R$ 1 milhão para um projeto audiovisual chamado Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem, que seria executado pela Go Up Entertainment, mas afirmou que o projeto não avançou por questões técnicas e os recursos acabaram redirecionados para a área da saúde, em favor do Hospital de Amor, em Barretos.

Bia Kicis também reconheceu o envio de R$ 150 mil ao mesmo projeto, porém alegou que os recursos não foram executados. Em sua manifestação, a deputada afirmou que há uma tentativa de “criminalização” de emendas parlamentares destinadas à cultura conservadora e negou qualquer relação entre sua indicação orçamentária e o filme Dark Horse.

A Advocacia da Câmara dos Deputados informou ao STF que, sob o aspecto formal, não identificou irregularidades nas emendas apresentadas por Mário Frias mencionadas pela ação.

A investigação ganhou novo fôlego após novas revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Reportagem publicada pelo The Intercept Brasil revelou mensagens e áudios nos quais Flávio solicita aproximadamente R$ 134 milhões para viabilizar a produção de Dark Horse. Segundo a publicação, ao menos R$ 61 milhões teriam sido liberados.

Os diálogos ocorreram pouco antes da prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que apura crimes financeiros, fraudes bancárias e operações suspeitas envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Em um dos áudios divulgados, Flávio Bolsonaro demonstra preocupação com atrasos em pagamentos ligados à produção do longa.

“Está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso”, afirma o senador em trecho revelado pela reportagem.

As revelações ampliam o alcance político do caso ao conectar financiamento privado milionário, recursos públicos destinados à cultura e uma produção audiovisual centrada na imagem de Jair Bolsonaro às vésperas do calendário eleitoral de 2026.

Em nota divulgada nesta semana, Mário Frias negou que o filme tenha recebido recursos do Banco Master ou de Daniel Vorcaro. O parlamentar afirmou que Flávio Bolsonaro “não possui participação societária” na produção e classificou Dark Horse como uma “superprodução em padrão hollywoodiano” financiada exclusivamente com capital privado.

Frias também rebateu comparações sobre o custo da obra, que supera produções brasileiras recentes de grande repercussão internacional, como Ainda Estou Aqui.

“Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional”, declarou o deputado.

O caso ocorre em um momento de crescente disputa política sobre o uso das emendas parlamentares e sobre o financiamento de produtos culturais associados a grupos ideológicos. Nos bastidores de Brasília, interlocutores do Congresso avaliam que a ofensiva judicial pode produzir novos desdobramentos envolvendo prestação de contas, rastreamento de recursos e eventual investigação sobre financiamento eleitoral indireto por meio do audiovisual.

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