Explosão na zona oeste de São Paulo matou um homem, feriu moradores e destruiu imóveis; jovem atingido por estilhaços relata momentos de pânico e cenário de guerra após vazamento de gás

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“A janela explodiu na minha cara.” O relato é do agente de aeroporto Maurício Gonçalves, de 23 anos, um dos feridos na explosão que devastou ao menos 35 imóveis no bairro Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, na tarde desta segunda-feira (11). O acidente deixou um homem de 45 anos morto, provocou incêndios e espalhou estilhaços e destroços por toda a região.

Maurício mora no quarto andar de um condomínio localizado em frente ao ponto da explosão, na Rua Floresto Bandecchi, próximo à Rua Doutor Benedito de Moraes. Segundo ele, estava sozinho em casa quando ouviu o estrondo e acreditou que o prédio estivesse desabando.
“Na hora da explosão eu fiquei totalmente sem reação, porque quando eu olhei para a janela, a janela explodiu na minha cara, e aí eu desci correndo na escada de emergência”, contou o jovem. “Minha primeira sensação foi que o prédio estava desabando.”
O morador sofreu cortes no rosto e nas mãos causados pelos vidros que se despedaçaram com a onda de choque. “Quando eu olhei para a minha mão cheia de sangue, meu rosto cheio de sangue, eu vi a comunidade pegando fogo”, relatou. Ele levou dois pontos no rosto após atendimento de emergência.
Segundo Maurício, todas as janelas do apartamento foram destruídas. “Os boxes do banheiro estouraram também. Muito vidro voando. O que deixou a cicatriz no meu rosto foi o vidro que explodiu”, afirmou.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de São Paulo, a explosão ocorreu por volta das 16h10 e teria relação com uma obra executada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo que atingiu uma tubulação de gás durante remanejamento de rede de água.
Moradores relataram forte cheiro de gás antes da explosão. Chamados recebidos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo e pelos bombeiros indicavam vítimas presas sob escombros e pessoas lançadas pela força do impacto. Equipes de resgate ouviram gritos de socorro logo após o acidente.
A Defesa Civil informou que duas vítimas conscientes foram encaminhadas ao pronto-socorro regional de Osasco. Um funcionário da Sabesp também precisou de atendimento hospitalar.
Em nota, a Sabesp confirmou que realizava obra no local acompanhada pela concessionária responsável pela rede de gás e afirmou que o serviço foi interrompido imediatamente após o atingimento da tubulação. A companhia declarou ainda que a explosão ocorreu durante os procedimentos de resposta da equipe técnica da rede de gás.
Nos bastidores, o caso aumenta a pressão sobre a atuação operacional da Sabesp após a privatização da companhia em 2024. Este já é o terceiro acidente fatal envolvendo estruturas ou obras ligadas à empresa em menos de um ano no estado de São Paulo.
Especialistas em segurança urbana e infraestrutura defendem investigação rigorosa sobre protocolos adotados na obra, comunicação de risco à população e fiscalização das empresas terceirizadas envolvidas na operação. Moradores da região afirmam que o cheiro de gás já era percebido antes da explosão e questionam o tempo de resposta das equipes técnicas.
A área permaneceu isolada durante toda a noite para buscas por possíveis vítimas e avaliação do risco estrutural dos imóveis atingidos.




