Presidente dos Estados Unidos volta a questionar o resultado da eleição de 2020, faz acusações contra a China sem apresentar provas públicas e anuncia divulgação de documentos sobre o caso
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a questionar a integridade das eleições presidenciais de 2020 durante um pronunciamento em horário nobre na Casa Branca, na noite de quinta-feira (16). Em um discurso de cerca de 30 minutos, Trump afirmou que a China teria obtido ilegalmente registros de aproximadamente 220 milhões de eleitores norte-americanos e alegou, sem apresentar provas públicas, que o país asiático atuou para favorecer a vitória de Joe Biden.
Alegações e reações
Durante o pronunciamento, Trump anunciou que a Casa Branca irá desclassificar cinco grupos de documentos que, segundo ele, conteriam evidências de irregularidades na eleição de 2020. O presidente também afirmou que solicitará ao diretor do FBI, Kash Patel, uma investigação sobre as supostas ações da China.
Trump voltou a sustentar que houve fraudes envolvendo votos pelo correio, registros eleitorais e listas de eleitores, além de acusar integrantes da comunidade de inteligência norte-americana de ocultarem informações sobre o pleito.
As declarações, no entanto, divergem de avaliações oficiais divulgadas após a eleição de 2020. Em 2021, a comunidade de inteligência dos Estados Unidos concluiu que não encontrou evidências de que governos estrangeiros tenham alterado aspectos técnicos da votação, como registros de eleitores, cédulas, sistemas de apuração ou os resultados finais da eleição. Na época, o então procurador-geral William Barr, integrante do primeiro governo Trump, também afirmou que o Departamento de Justiça não identificou fraudes em escala suficiente para modificar o resultado do pleito.
O pronunciamento ocorre às vésperas das eleições legislativas de novembro de 2026, que definirão o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos.
No mesmo discurso, Trump voltou a defender a aprovação do SAVE America Act, projeto que prevê exigências como apresentação de documento com foto para votar, comprovação de cidadania no registro eleitoral e maior compartilhamento de dados entre estados e o governo federal. Republicanos afirmam que as medidas fortalecem a segurança eleitoral. Democratas e entidades de defesa do direito ao voto argumentam que as mudanças podem dificultar o acesso de eleitores aptos ao processo eleitoral.
No Brasil, declarações de Trump repercutiram entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que voltaram a fazer críticas ao sistema eleitoral brasileiro nas redes sociais. O blogueiro Allan dos Santos, investigado no inquérito das fake news e considerado foragido pela Justiça brasileira, publicou mensagens questionando os mecanismos de auditoria das urnas eletrônicas.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que o sistema eletrônico de votação brasileiro possui diversas camadas de fiscalização e auditoria, incluindo inspeção do código-fonte por instituições fiscalizadoras, testes públicos de segurança, votação paralela e auditorias realizadas antes, durante e após as eleições. Até o momento, não foram apresentadas provas aceitas pela Justiça Eleitoral que demonstrem fraude capaz de alterar resultados de eleições realizadas com urnas eletrônicas no país.
As declarações de Trump e a repercussão entre aliados no Brasil ocorrem em um momento de tensão diplomática entre os dois países, após o anúncio de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Entretanto, não há confirmação oficial de relação entre o pronunciamento do presidente norte-americano e a política tarifária adotada pelo governo dos EUA.




