
Tribunal afirma que representantes do partido acompanharam procedimentos de fiscalização e totalização dos votos em espaços autorizados; senador havia questionado a atuação da Corte após a derrota no segundo turno
Por Sandra Venancio – Jornal Local
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contestou nesta segunda-feira (26) a declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência da República, de que fiscais do partido teriam sido retirados da sala-cofre da Corte durante a apuração do segundo turno, realizado no domingo (25). Em nota, o tribunal classificou a afirmação como falsa e informou que representantes do PL tiveram acesso aos ambientes destinados ao acompanhamento dos procedimentos eleitorais.
Após a divulgação do resultado, Flávio afirmou que os fiscais de seu partido teriam sido retirados do local durante a apuração. “Os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento que essa eleição foi tomada”, declarou o senador, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo.
Tribunal diferencia sala-cofre dos espaços de fiscalização
Em resposta à acusação, o TSE esclareceu que a sala-cofre não é aberta à visitação nem destinada à circulação de fiscais partidários. A Corte informou que o acompanhamento da totalização e da divulgação dos resultados ocorre em espaços específicos, com acesso autorizado a representantes de partidos, observadores internacionais, advogados e integrantes do Ministério Público.
Segundo o tribunal, dois representantes do PL estiveram na sede da Justiça Eleitoral para acompanhar o Teste de Integridade das Urnas, realizado no subsolo do edifício, e os procedimentos de totalização e divulgação dos resultados na Sala de Totalização.
Os fiscais também visitaram a Sala dos Partidos Políticos, localizada no quinto andar do prédio. De acordo com o TSE, registros de presença e imagens da Sala de Totalização documentam a participação dos representantes nas atividades autorizadas.
A manifestação da Corte, portanto, contesta a versão de que os fiscais tenham sido impedidos de acompanhar os procedimentos eleitorais nos ambientes destinados à fiscalização. A distinção entre a sala-cofre e os espaços de acompanhamento é central para compreender a divergência entre a declaração do senador e a resposta oficial.
Flávio questionou decisão sobre horário de votação
A declaração do candidato do PL ocorreu em meio aos questionamentos que ele apresentou sobre a condução do segundo turno. Flávio também criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin que prorrogou o horário de votação até as 19h nas seções que ainda estavam abertas.
O senador anunciou que recorreria à Justiça para pedir a anulação da eleição. A declaração, por si só, não altera o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral. Eventuais pedidos de impugnação precisam ser examinados pelas instâncias competentes, com base nos fatos e nas provas apresentados.
O TSE confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo os números divulgados para o segundo turno.
A controvérsia sobre a presença de fiscais na sede do tribunal deve ser analisada a partir dos registros apresentados pela Corte e de eventuais provas que venham a ser formalmente contestadas pelas partes.


