“Os 30 minutos de chuvas, que atingiram São Paulo na tarde de quarta-feira (16), foram o equivalente a seis dias de queda d’água”. A frase do capitão Marcelo Tasso, comandante do Helicóptero Águia 14, uma das três aeronaves que trabalharam no socorro às vítimas das enchentes em Osasco, demonstra o grau de dificuldade encontrado pela equipe do Grupamento Aéreo da Polícia Militar nas missões de resgate de ontem. Seis pessoas, de uma mesma família – entre elas quatro crianças -, foram resgatas diretamente por uma das aeronaves da PM no bairro Jaguará, também conhecido como Rochdale, na cidade da Grande São Paulo. Piloto, co-piloto e tripulantes tiveram de usar um cesto para concretizar o salvamento.
No total, 13 policiais participaram dos salvamentos. Além do Águia 14, foram utilizados na missão o Águia 6 e o Águia 4. As três aeronaves saíram do hangar no Campo de Marte, na zona norte, às 17h50. Equipados com os cestos de salvamento e com o Dawn Link, mais conhecido como Olho de Águia, os pilotos voaram até os pontos indicados pelos pedidos de socorro – que chegaram aos telefones do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) e do Corpo de Bombeiros (Cobom), através dos números 190 e 193, respectivamente.
A região mais afetada foi a do Rochdale. “O que nos impressionou foi a rapidez com que a água subiu. Nunca tinha visto tanta chuva em uma área tão pequena. A tempestade chegou durante o horário comercial e as pessoas estavam nas ruas, não tendo tempo de buscar local seguro para abrigo”, conta o capitão Tasso.
Seis pessoas, entre elas quatro crianças, foram socorridas pelo Águia 6, justamente no Rochdale. Elas estavam ilhadas em uma casa e o socorro via terrestre era inviável pelo volume de água e a forte correnteza. Comandados pelo capitão Jorge Marcelo de Oliveira, os policiais militares jogaram um cesto e resgataram, um a um, todos os integrantes da família.
Em outro ponto do bairro, após receber um chamado do Copom, o capitão Tasso voou, juntamente com sua equipe, com o Águia 14 para resgatar cerca de 100 pessoas que estariam ilhadas. “Quando chegamos ao local, como o volume d’água já estava baixando, e fizemos a orientação para que as viaturas de socorro do Corpo de Bombeiros resgatassem as vítimas”, conta Tasso.
Todo o procedimento foi coordenado pelas imagens do Olho de Águia da aeronave Águia 4, comandada na ocasião pelo 1º tenente César Augusto Silva. As imagens seguiam diretamente para o Copom e Cobom – que as traduzia para as viaturas de resgate. O trabalho dos 13 PMs terminou às 20h30, horário do último pouso na base do Grupamento Aéreo.
Helicópteros para o interior
A Polícia Militar estima que, até maio de 2010, quatro novas bases do Grupamento Aéreo estejam instaladas em cidades do interior do Estado que ainda não possuem suas próprias instalações.
As quatro aeronaves já foram adquiridas, e aguardam a conclusão das obras de infraestrutura dos hangares e a transferência de efetivo para começarem a atuar em Sorocaba, Presidente Prudente, São José do Rio Preto e Piracicaba.
Precauções em caso de enchentes
No primeiro momento, as pessoas devem ligar imediatamente para os números 190 (Polícia Militar) e 193 (Bombeiros). “Em caso de fortes chuvas que gerem enchentes, as vítimas devem procurar lugares altos – longe de encostas, árvores ou objetos que possam causar ferimentos. Nem sempre a casa onde você mora é o local mais seguro para se proteger”, aconselha Tasso.




