Negociações foram retomadas entre defesa, PGR e Polícia Federal; investigadores avaliam que colaboração anterior omitiu fatos considerados centrais para as apurações do caso Master

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As negociações para uma nova tentativa de acordo de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro foram retomadas na última semana entre a defesa do empresário, integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e delegados da Polícia Federal. Apesar da reabertura das conversas, as tratativas ainda não produziram avanços concretos e permanecem em estágio inicial.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, investigadores e membros da PGR estabeleceram como condição fundamental para qualquer novo acordo que Vorcaro reconheça efetivamente a prática de crimes investigados. A avaliação dos órgãos responsáveis pela negociação é que a colaboração premiada exige admissão de responsabilidades e não pode ser utilizada apenas como instrumento de defesa.
A primeira proposta de colaboração apresentada pelo banqueiro foi rejeitada em maio. De acordo com relatos de pessoas envolvidas nas negociações, o material foi considerado insuficiente porque teria deixado de abordar fatos já conhecidos pelas autoridades e apresentado informações consideradas incompletas sobre personagens relevantes do caso.
O QUE ESTÁ EM DISCUSSÃO
Entre os pontos que chamaram a atenção dos investigadores está a forma como figuras políticas teriam sido mencionadas nos anexos da colaboração. Segundo relatos divulgados pela imprensa, a proposta não teria aprofundado determinadas relações financeiras e empresariais que já estão sob análise das autoridades.
Um dos nomes citados nas discussões é o senador Ciro Nogueira (PP-PI). De acordo com a reportagem, investigadores avaliaram que os documentos apresentados não abordaram integralmente fatos considerados relevantes para as apurações. Não há, até o momento, acusação formal ou condenação judicial relacionada aos fatos mencionados nas negociações da delação.
Outro tema apontado como sensível envolve supostas relações entre investimentos do sistema previdenciário estadual do Rio de Janeiro e ativos financeiros ligados ao Banco Master. Investigadores teriam considerado insuficientes os esclarecimentos apresentados sobre a participação de agentes públicos nas operações analisadas.
As negociações ocorrem sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Nos bastidores, a defesa do banqueiro também busca reconstruir a interlocução com o gabinete do magistrado após desgastes ocorridos durante a análise da primeira proposta de colaboração.
Segundo os relatos, a relação entre as partes teria se deteriorado após divergências sobre a homologação do acordo inicialmente apresentado. Desde então, a comunicação entre defesa e relatoria passou a ocorrer prioritariamente por meio de petições formais.
Após a rejeição da primeira tentativa de colaboração, Vorcaro permaneceu preso e teve sua situação carcerária alterada temporariamente. Posteriormente, por decisão judicial, retornou à sala de Estado-Maior utilizada anteriormente por outros investigados de grande repercussão nacional.
A expectativa entre investigadores é que uma eventual nova proposta apresente informações inéditas, documentos comprobatórios e detalhamento de fatos ainda não esclarecidos. Sem isso, a avaliação predominante é que um novo pedido de colaboração poderá enfrentar as mesmas dificuldades que levaram à rejeição da primeira tentativa.
Até o momento, não há acordo homologado entre Daniel Vorcaro e as autoridades. As negociações seguem em andamento e qualquer eventual colaboração dependerá da análise da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e da homologação pelo Supremo Tribunal Federal.




