Thiago Miranda é investigado por suspeita de coordenar campanha digital em favor do Banco Master e, segundo O Globo, teria sinalizado a aliados que pode envolver agentes políticos caso seja responsabilizado
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O publicitário Thiago Miranda, investigado pela Polícia Federal por suspeita de contratar influenciadores digitais para promover ataques ao Banco Central e defender o Banco Master, passou a ser apontado como um novo fator de desgaste para a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Segundo informação publicada pela colunista Bela Megale, do jornal O Globo, Miranda teria sinalizado que, caso seja responsabilizado pelas investigações, poderá envolver nomes do meio político. Pessoas próximas ao senador avaliam que o recado poderia ter Flávio Bolsonaro como um dos destinatários.
De acordo com as investigações, Thiago Miranda foi o responsável por aproximar Flávio Bolsonaro do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no fim de 2024. A Polícia Federal apura se o publicitário participou da intermediação de pagamentos feitos por Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos que financiaria um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação também apura a suspeita de que Miranda coordenou uma rede remunerada de influenciadores digitais para publicar conteúdos favoráveis ao Banco Master e críticos ao Banco Central durante o período que antecedeu a liquidação da instituição financeira. Os investigadores ainda apuram a atuação de um grupo suspeito de intimidar jornalistas, monitorar pessoas ligadas a autoridades públicas e obter informações sigilosas de forma indevida.
A defesa de Thiago Miranda nega qualquer irregularidade. Em nota divulgada após a operação da Polícia Federal, os advogados afirmaram que “Thiago Miranda sempre pautou sua atuação profissional pela legalidade, pela transparência e pelo respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão, não tendo praticado qualquer ato criminoso, tampouco participado de conduta destinada a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros.”
No dia 13 de julho, o publicitário anunciou o encerramento das atividades de sua agência de comunicação, informando que decidiu “colocar um ponto final nesta etapa para viver um novo momento pessoal”.
Dois dias antes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master, determinou a apreensão do passaporte de Thiago Miranda e proibiu sua saída do país. A decisão atendeu a pedido da Polícia Federal, que apontou risco concreto de fuga.
Em reportagem publicada pelo g1 em janeiro, um influenciador digital de São Paulo, sob condição de anonimato, afirmou ter recebido R$ 7,8 mil por uma única publicação com críticas ao Banco Central. Segundo o relato, ele também recusou uma proposta de contrato de três meses que previa a produção de oito vídeos mensais mediante pagamento líquido de R$ 188 mil ao final do período.
Em depoimento prestado à Polícia Federal em março, Thiago Miranda negou ter contratado influenciadores para atacar autoridades ou órgãos públicos. Segundo ele, seu trabalho consistia exclusivamente na “reconstrução reputacional da imagem” do banqueiro Daniel Vorcaro.
Até o momento, Flávio Bolsonaro não é investigado no inquérito que apura a atuação de Thiago Miranda, e não há decisão judicial que atribua responsabilidade ao senador pelos fatos investigados. As apurações seguem em andamento.




