Banqueiro tenta avançar em acordo de colaboração com PF e PGR enquanto investigações analisam investimentos de fundos previdenciários e relações com aliados do ex-presidente

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O banqueiro Daniel Vorcaro prepara uma nova proposta de acordo de colaboração premiada a ser apresentada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, o novo documento amplia o escopo da primeira versão e aborda a relação de Vorcaro com integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de tratar de investimentos realizados por fundos públicos no Banco Master.
De acordo com informações publicadas pelo jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, a nova proposta menciona o financiamento do filme “Dark Horse”, produção associada ao deputado federal Mario Frias (PL-SP) e ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Conforme a reportagem, Vorcaro sustentaria que o apoio financeiro ao projeto não envolveu contrapartidas ou irregularidades, versão que, segundo a publicação, diverge de elementos já reunidos pelos investigadores.
INVESTIGAÇÕES
A proposta também incluiria referências à relação de Vorcaro com figuras políticas, entre elas o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil durante o governo Bolsonaro. Conforme os relatos divulgados, o acordo abordaria ainda a destinação de cerca de US$ 24 milhões vinculados ao projeto cinematográfico, incluindo recursos que teriam sido direcionados ao fundo Havengate.
Outro ponto sob análise envolve mensagens e contatos entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Reportagens apontam que conversas relacionadas ao financiamento do filme ocorreram pouco antes da primeira prisão do banqueiro. Os investigadores avaliam o contexto dessas comunicações dentro do conjunto de apurações já em andamento.
A nova proposta de delação também prevê, segundo as informações divulgadas, o compromisso de ressarcimento aos cofres públicos em valores que poderiam variar entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões. O montante chama a atenção dos investigadores, que buscam identificar a origem dos recursos e a viabilidade de eventual restituição.
Entre os casos examinados está a aplicação de recursos previdenciários públicos no Banco Master. O RioPrevidência, fundo de previdência do Estado do Rio de Janeiro, teria investido aproximadamente R$ 3 bilhões na instituição. A Polícia Federal informou recentemente que identificou coincidências temporais entre investimentos realizados pelo fundo e reuniões mantidas por Vorcaro com o então governador Cláudio Castro (PL), que também figura entre os investigados.
As apurações se estendem para além do Rio de Janeiro. Levantamento do Ministério da Previdência Social identificou ao menos 18 fundos previdenciários estaduais e municipais com aplicações no Banco Master. Entre eles estão fundos do Amapá, com cerca de R$ 400 milhões investidos, e do Amazonas, com aproximadamente R$ 50 milhões. Também foram identificadas aplicações de entidades localizadas em municípios dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Alagoas e Pernambuco.
Segundo os levantamentos preliminares divulgados pelas autoridades, os investimentos realizados por fundos previdenciários, excluindo o RioPrevidência, superam R$ 1 bilhão. As investigações seguem em andamento e ainda não houve conclusão definitiva sobre eventuais responsabilidades civis ou criminais dos citados.




