Reportagem da Revista Fórum afirma que ex-presidente da Alerj negocia colaboração com a Polícia Federal; acordo ainda não teve confirmação oficial da Justiça, da PF ou da PGR

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A possível negociação de um acordo de colaboração premiada envolvendo o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), passou a movimentar os bastidores da política fluminense. Segundo reportagem publicada pela Revista Fórum, Bacellar, preso no âmbito de investigações da Polícia Federal, teria iniciado conversas para firmar uma delação premiada que poderia atingir integrantes do grupo político do ex-governador Cláudio Castro (PL) e aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Até o momento, porém, não há confirmação pública da homologação de qualquer acordo por parte da Justiça, da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República.
De acordo com a publicação, Bacellar estaria disposto a fornecer informações sobre supostos esquemas de arrecadação política, contratos públicos e relações mantidas durante sua atuação como uma das principais lideranças do governo fluminense. O ex-deputado foi preso após investigação que apura vazamento de informações sigilosas relacionadas a operações policiais envolvendo o então deputado estadual conhecido como TH Joias. A PF sustenta que Bacellar teria alertado antecipadamente o parlamentar sobre ações investigativas e orientado a destruição de provas, acusações que integram os processos atualmente em tramitação.
PRESSÃO SOBRE O PALÁCIO GUANABARA
A eventual colaboração de Bacellar ocorre em um momento de forte pressão sobre o grupo político que comandou o estado nos últimos anos. Recentes operações da Polícia Federal atingiram o entorno do ex-governador Cláudio Castro, incluindo investigações relacionadas a investimentos bilionários realizados pelo Rioprevidência no Banco Master e apurações envolvendo empresários com contratos públicos no estado. Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que aliados do PL avaliam que o avanço das investigações pode produzir impactos diretos sobre a articulação eleitoral do senador Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro.
Segundo a Revista Fórum, o conteúdo da suposta delação incluiria informações sobre movimentações financeiras, distribuição de recursos políticos e a atuação de operadores que exerceram influência dentro do Palácio Guanabara. O nome do ex-secretário de Governo André Moura aparece entre os personagens mencionados pela publicação. As alegações, entretanto, ainda não foram confirmadas por documentos oficiais tornados públicos.
A reportagem também afirma que Bacellar avaliaria formas de ressarcimento aos cofres públicos como parte das negociações. Os valores citados pela publicação alcançariam centenas de milhões de reais, embora não exista confirmação oficial sobre cifras ou sobre eventual proposta formal apresentada às autoridades.
IMPACTO POLÍTICO
A preocupação de aliados de Flávio Bolsonaro decorre não apenas da proximidade política que Bacellar manteve com o grupo bolsonarista no Rio de Janeiro, mas também do papel que desempenhava nos planos eleitorais para 2026. Antes de sua prisão e posterior cassação de mandato, Bacellar era apontado como um dos principais nomes para disputar o governo fluminense com apoio de setores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores da política estadual, a possibilidade de uma colaboração premiada é vista como um fator de instabilidade. Parlamentares e integrantes do Executivo acompanham com atenção o caso, diante da possibilidade de que novas informações venham a ampliar o alcance das investigações já em curso. Até agora, contudo, o que existe publicamente é a notícia de negociações relatadas pela imprensa, sem confirmação formal sobre a assinatura ou homologação de um acordo.
Procuradas em reportagens anteriores, lideranças ligadas ao grupo político investigado negaram irregularidades e afirmaram confiar no esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes. As investigações seguem em andamento, e não há condenações definitivas relacionadas às alegações mencionadas na suposta colaboração.




