Processo em Minas Gerais aponta cobrança superior a R$ 1 milhão por serviços advocatícios e inclusão do nome do empresário em cadastro de inadimplentes

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Muito antes de se tornar alvo das investigações que culminaram na liquidação extrajudicial do Banco Master e em sua prisão, o empresário Daniel Vorcaro já enfrentava disputas judiciais relacionadas a negócios privados. Documentos judiciais analisados por veículos de imprensa apontam que, em 2014, o nome de Vorcaro foi incluído em cadastros de inadimplência em razão de uma dívida superior a R$ 1 milhão com um escritório de advocacia de Minas Gerais.
O caso envolve as empresas Multipar Empreendimentos e Participações, Cesto Incorporadora S.A. e Eukaryota Participações S.A., ligadas à família Vorcaro. As companhias contrataram serviços de consultoria jurídica para um empreendimento imobiliário em Belo Horizonte conhecido como Golden Trip. Segundo o escritório Guimarães & Vieira de Mello Advogados, os pagamentos previstos em contrato não foram integralmente realizados, resultando em uma disputa judicial que se estendeu por vários anos.
Histórico empresarial e reflexos judiciais
De acordo com os autos, o contrato firmado em 2010 previa honorários de R$ 800 mil. Com a incidência de juros e novos ajustes contratuais, o valor cobrado ultrapassou R$ 1 milhão. As partes chegaram a negociar um acordo para parcelamento da dívida, mas, segundo o escritório, apenas a primeira parcela teria sido quitada.
Diante do descumprimento do acordo, os advogados buscaram medidas judiciais para localizar e bloquear bens dos envolvidos. A Justiça chegou a identificar valores em contas bancárias vinculadas aos investigados, mas as quantias encontradas não seriam suficientes para liquidar integralmente o débito discutido no processo.
A defesa da família Vorcaro contestou as cobranças e ingressou com ação própria para questionar a validade do contrato. Os advogados dos empresários sustentaram que os serviços contratados não teriam sido executados de forma satisfatória, o que teria obrigado a contratação de outros profissionais para concluir o projeto imobiliário.
Nos documentos apresentados à Justiça, a defesa também alegou que a inclusão dos nomes dos envolvidos em cadastros de inadimplência dificultou o acesso a financiamentos e comprometeu a captação de recursos necessários para a conclusão do empreendimento. O grupo afirmava negociar operações financeiras relevantes, incluindo a estruturação de um fundo imobiliário e tratativas com instituições financeiras.
As decisões judiciais de primeira e segunda instância citadas nos autos rejeitaram, naquele momento, os argumentos relacionados à suposta coação na assinatura dos acordos. Os magistrados destacaram a experiência empresarial dos envolvidos ao analisar os pedidos apresentados pela defesa.
O histórico voltou a ganhar atenção após a deflagração da Operação Compliance Zero, que investiga supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionados ao antigo Banco Master. Daniel Vorcaro é apontado como um dos principais alvos das investigações e, segundo informações divulgadas pelas autoridades, negocia um possível acordo de colaboração premiada.
A documentação consultada pelos veículos que tiveram acesso ao processo não esclarece qual foi o desfecho definitivo da disputa envolvendo o escritório de advocacia. Procurados pela imprensa, tanto os representantes de Daniel Vorcaro quanto o escritório citado não apresentaram manifestação sobre o caso até a publicação das reportagens.




