Caso o Partido Democrata conquiste maioria na Câmara, no Senado ou em ambos, o governo poderá enfrentar maior resistência para aprovar sua agenda legislativa
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará um pronunciamento à nação na noite desta quinta-feira (16), no qual deve voltar a questionar a segurança das urnas eletrônicas e reafirmar, sem apresentar provas, que foi derrotado por Joe Biden na eleição presidencial de 2020 em decorrência de fraude eleitoral. Segundo uma autoridade do governo ouvida pela agência Reuters sob condição de anonimato, Trump também deverá apresentar documentos de inteligência recentemente desclassificados que, segundo a Casa Branca, sustentariam suas alegações.
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De acordo com a Reuters, o presidente pretende afirmar que existem vulnerabilidades em equipamentos de votação eletrônica capazes de permitir ataques cibernéticos promovidos por governos estrangeiros. A expectativa é que o discurso ocorra poucos meses antes das eleições legislativas de novembro, consideradas decisivas para o futuro político do governo e para a correlação de forças no Congresso americano.
A Casa Branca informou que Trump utilizará informações de inteligência recém-desclassificadas relacionadas às investigações sobre a eleição de 2020. Até o momento, porém, o governo não divulgou o conteúdo dos documentos nem apresentou evidências públicas que comprovem as alegações de fraude eleitoral ou de manipulação das urnas.
As acusações sobre irregularidades na eleição de 2020 já foram analisadas por tribunais estaduais e federais, auditorias independentes e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Segundo essas apurações, não foram encontradas evidências de fraude em escala capaz de alterar o resultado da disputa vencida por Joe Biden.
A Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA) classificou a eleição presidencial de 2020 como “a mais segura da história do país”. Desde então, autoridades eleitorais americanas continuam afirmando que não há registros de invasões capazes de modificar os resultados oficiais das urnas eletrônicas utilizadas nos estados.
Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela Reuters afirmam que medidas adotadas pela atual administração para ampliar a supervisão federal sobre as eleições podem gerar conflitos com a Constituição dos Estados Unidos, que atribui aos estados a responsabilidade pela organização e administração dos pleitos.
Para analistas políticos, a retomada das alegações de fraude pode ampliar a polarização política em um momento considerado sensível para a democracia americana. Democratas e especialistas em segurança eleitoral manifestam preocupação de que o discurso possa aumentar a desconfiança dos eleitores no sistema eleitoral e estimular novas contestações aos resultados das urnas caso candidatos republicanos sejam derrotados.
O que está em jogo nas eleições legislativas
As eleições legislativas de novembro definirão a composição do Congresso dos Estados Unidos e terão influência direta sobre a capacidade do presidente Donald Trump de governar nos próximos dois anos de mandato.
Na Câmara dos Representantes, estarão em disputa as 435 cadeiras. No Senado, os eleitores renovarão 34 das 100 vagas. O partido que conquistar maioria em cada Casa controlará a tramitação de projetos de lei, o orçamento federal, a presidência das principais comissões e parte do processo de confirmação de indicações presidenciais.
Uma eventual maioria republicana facilitará a aprovação das propostas de Trump nas áreas de economia, imigração, segurança pública, política externa e reforma administrativa. Também ampliará o apoio às indicações do governo para cargos estratégicos e para o Poder Judiciário quando houver necessidade de aprovação pelo Senado.
O que muda com as eleições
Por outro lado, caso o Partido Democrata conquiste maioria na Câmara, no Senado ou em ambos, o governo poderá enfrentar maior resistência para aprovar sua agenda legislativa. O Congresso também poderá ampliar investigações, convocar integrantes da administração para prestar esclarecimentos e barrar projetos considerados prioritários pela Casa Branca.
Teste de popularidade de Trump
O resultado da eleição também será interpretado como um teste da popularidade de Trump e um indicativo do cenário político para a sucessão presidencial de 2028. O desempenho dos dois principais partidos servirá como referência para futuras alianças, estratégias eleitorais e definição das principais lideranças nacionais.
Até o momento, a Casa Branca não informou quais documentos de inteligência serão apresentados durante o pronunciamento nem detalhou quais evidências sustentariam as novas declarações do presidente sobre a eleição de 2020. A expectativa é que o discurso seja acompanhado de perto por lideranças políticas, autoridades eleitorais e organismos responsáveis pela segurança do processo eleitoral nos Estados Unidos.




