
Governo Lula analisará alcance da medida anunciada por Washington antes de decidir sobre negociações ou eventual adoção de contramedidas comerciais
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O governo brasileiro aguarda até esta quarta-feira (15) a decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Após o anúncio, a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá avaliar a abrangência da medida, as possíveis exceções e a continuidade das negociações bilaterais antes de decidir se recorrerá à Lei de Reciprocidade Econômica ou manterá o diálogo diplomático.
Segundo integrantes do governo, a reação brasileira dependerá do conteúdo da decisão norte-americana. A expectativa é de que equipes técnicas dos ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e das Relações Exteriores analisem os impactos econômicos e jurídicos do documento antes da definição de qualquer medida.
O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, informou que o resultado da investigação comercial conduzida contra o Brasil será divulgado até 15 de julho. O processo é resultado de meses de negociações entre os dois países.
Negociadores brasileiros consideram possível que Washington mantenha a tarifa de 25%, mas amplie a lista de produtos excluídos da cobrança. A eventual inclusão de exceções será um dos principais fatores considerados pelo governo brasileiro para definir sua estratégia.
Entre os setores que poderão ser preservados estão produtos considerados estratégicos para a economia norte-americana, como alimentos, aeronaves, minerais críticos e outros itens relevantes para as cadeias produtivas dos Estados Unidos.
Caso considere que a medida prejudica a competitividade brasileira, o governo poderá recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril de 2025. A legislação autoriza o Poder Executivo a adotar contramedidas contra países que imponham barreiras comerciais ao Brasil, incluindo restrições comerciais, investimentos e medidas relacionadas à propriedade intelectual.
O instrumento foi regulamentado por decreto que instituiu o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, responsável por analisar os efeitos econômicos, comerciais e diplomáticos de eventuais respostas do governo brasileiro, além de promover consultas ao setor produtivo antes da adoção de medidas.
Até o momento, o Palácio do Planalto não prevê contato direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, antes da divulgação da decisão. A avaliação da diplomacia brasileira é que qualquer interlocução presidencial neste momento teria poucas chances de alterar o resultado da investigação comercial.
O governo também descarta, por enquanto, responder automaticamente com tarifas equivalentes. Segundo integrantes da equipe econômica, qualquer medida dependerá dos impactos sobre empresas brasileiras, consumidores e cadeias produtivas.
Nos bastidores, interlocutores do governo consideram pouco provável que Washington prorrogue o prazo para divulgação da decisão. Autoridades norte-americanas teriam sinalizado, durante as negociações, que a data de 15 de julho seria mantida.
A equipe diplomática acompanha ainda os possíveis desdobramentos políticos da decisão. Integrantes do governo avaliam que setores da administração norte-americana poderão atribuir conotação política ao anúncio, sobretudo diante da aproximação do calendário eleitoral brasileiro. No entanto, essa possibilidade é tratada internamente como hipótese e não há indicação oficial do governo dos Estados Unidos nesse sentido.
A decisão norte-americana ocorre cerca de um ano após a imposição de tarifas sobre parte das exportações brasileiras. Desde então, alguns produtos foram retirados da lista de cobrança enquanto outros permaneceram sujeitos às restrições. O resultado da investigação deverá definir os próximos passos das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e orientar a estratégia do governo brasileiro para preservar as exportações nacionais.


