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quinta-feira, julho 16, 2026
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Haddad antecipa plano de segurança e coloca tema no centro da disputa pelo governo de São Paulo

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Pré-candidato do PT apresenta propostas para combater o crime organizado, reduzir roubos de celulares, enfrentar a violência contra as mulheres e diminuir a letalidade policial. Governo Tarcísio defende resultados da atual gestão

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O pré-candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), decidiu antecipar a apresentação de seu plano para a área de segurança pública, transformando o tema em um dos principais eixos da disputa com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscará a reeleição em 2026. A estratégia ocorre em meio a pesquisas que apontam a violência como uma das maiores preocupações da população paulista.

Plano aposta em integração e inteligência

O programa, que está em fase final de elaboração, será estruturado em três eixos principais: combate ao crime organizado, segurança urbana e proteção de grupos vulneráveis, especialmente mulheres vítimas de violência.

Na área de combate ao crime organizado, Haddad pretende criar um gabinete permanente de integração entre Governo do Estado, Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público, secretarias estaduais, guardas municipais e órgãos de fiscalização financeira. A proposta prevê o compartilhamento de informações para atingir as estruturas financeiras das organizações criminosas, combatendo lavagem de dinheiro, empresas de fachada e patrimônio obtido ilegalmente.

Segundo o coordenador do programa de governo, deputado estadual Emídio de Souza (PT), a intenção é ampliar a atuação conjunta entre as diferentes esferas do poder público.

“São várias propostas, como o combate ao crime organizado, com cooperações interfederativas, com outros estados, com guardas municipais, com órgãos como a Receita Federal, Polícia Federal, ministérios públicos e Secretaria da Fazenda. É colocar o problema na mão do governador, não deixar só na Secretaria de Segurança.”

A proposta também prevê o uso de inteligência artificial para identificar padrões de atuação de quadrilhas, cruzar bases de dados e auxiliar investigações.

Na segurança urbana, Haddad pretende ampliar o combate aos roubos e furtos de celulares, aumentar a presença policial em áreas consideradas críticas e fortalecer ações de prevenção nos grandes centros urbanos.

Outro ponto defendido pelo petista é o retorno das câmeras corporais com gravação contínua para policiais militares.

“Temos que voltar com as câmeras nas fardas em tempo contínuo. Porque isso protege o policial também. Você vai voltar a diminuir a letalidade e também diminuir a morte dos policiais”, afirmou Haddad durante agenda em Hortolândia.

Segundo levantamento da Rede de Observatórios da Segurança, São Paulo registrou 834 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, maior número desde 2019. No mesmo período, indicadores como roubos, furtos e homicídios apresentaram redução.

No terceiro eixo, Haddad pretende lançar o programa “SP Protege”, voltado ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica. A proposta prevê integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público, Judiciário e rede de assistência social para agilizar medidas protetivas e ampliar o acompanhamento das vítimas.

O plano é apresentado em um cenário de aumento dos feminicídios no Estado. Dados oficiais apontam crescimento dos casos nos últimos anos, levando o governo paulista a ampliar programas específicos de patrulhamento e atendimento especializado.

Com a antecipação das propostas petistas e a defesa dos resultados da atual gestão, a segurança pública desponta como um dos principais temas da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes nas eleições de 2026.

Os desafios da segurança pública em São Paulo

Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram que um dos principais pontos de preocupação é a letalidade policial. Em 2025, São Paulo registrou aumento, pelo terceiro ano consecutivo, no número de mortes decorrentes de intervenções policiais, enquanto homicídios dolosos e roubos apresentaram redução. O crescimento da letalidade passou a ser alvo de questionamentos de entidades de direitos humanos e de especialistas em segurança pública.

A violência contra as mulheres também continua em alta. O estado registrou recorde de feminicídios em 2025, com 266 casos, maior número da série histórica. Em 2026, os registros permaneceram elevados: somente no primeiro trimestre foram contabilizados 86 feminicídios, o maior número para o período desde o início da série.

Outro indicador que preocupa é o crescimento dos estupros. Dados da SSP mostram aumento desse tipo de crime em 2026, inclusive na capital paulista. Especialistas afirmam que os números reforçam a necessidade de fortalecer políticas de prevenção à violência contra mulheres e crianças, ampliar a rede de proteção às vítimas e integrar as ações das polícias com os serviços de assistência social.

Enquanto o governo Tarcísio destaca a redução de homicídios, latrocínios e roubos como resultado dos investimentos em inteligência, tecnologia e operações policiais, adversários sustentam que o aumento da letalidade policial e da violência de gênero evidencia a necessidade de mudanças na política de segurança pública do Estado. Esse cenário deve transformar o tema em um dos principais eixos da disputa eleitoral pelo Palácio dos Bandeirantes em 2026.

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