Atraso de repasses ameaça funcionamento do CAISM Vila Mariana, em São Paulo

Destaque

Unidade de saúde mental afirma enfrentar dificuldades para manter medicamentos, insumos e serviços essenciais após três meses sem receber integralmente recursos previstos pelo governo estadual

<OUÇA A REPORTAGEM>

O atraso de três meses nos repasses da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo ao Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental (CAISM) Vila Mariana já afeta a compra de medicamentos e insumos e ameaça a continuidade de serviços como ambulância, limpeza e segurança da unidade, na zona sul da capital. O centro deveria receber R$ 1,6 milhão por mês do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) para manter o atendimento de pacientes da rede pública de saúde mental.

<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp

O CAISM reúne pronto-socorro psiquiátrico, ambulatórios especializados, hospital-dia e unidades de internação. A unidade realiza aproximadamente 5 mil atendimentos ambulatoriais por mês e é referência para pacientes que necessitam de atendimento especializado em saúde mental.

Segundo Jair Mari, professor titular do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os profissionais continuam trabalhando apesar das dificuldades financeiras. “Não fechamos porque temos o compromisso com a assistência à população. Os profissionais estão estressados, cansados e desmotivados”, afirmou.

Mari também relatou dificuldades para garantir serviços básicos e medicamentos. “Como atender no limite da limpeza, da segurança, com falta de medicamentos e às vezes tirando dinheiro do bolso para pagar comida para paciente?”, questionou o professor.

Repasse estadual

O problema coloca sob pressão o modelo de financiamento da unidade e pode afetar diretamente a assistência prestada aos pacientes caso os pagamentos atrasados não sejam regularizados. A manutenção de serviços terceirizados, aquisição de medicamentos e fornecimento de insumos dependem da regularidade dos recursos destinados ao funcionamento do centro.

O atraso também levanta questionamentos sobre a gestão dos contratos e dos repasses destinados à saúde mental no Estado de São Paulo. Para dimensionar o impacto, é necessário esclarecer o valor total acumulado da dívida, os motivos apontados pela Secretaria da Saúde para o atraso e o cronograma previsto para a regularização dos pagamentos.

O Jornal Local procurará a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e a direção do CAISM Vila Mariana para esclarecer a origem do atraso, o valor atualmente pendente, quais serviços já foram afetados e quais medidas estão sendo adotadas para evitar prejuízos aos pacientes. A manifestação do governo será publicada na íntegra.

- Publicidade-spot_img

Outros Artigos

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade-spot_img

Últimos Artigos