Procedimento preliminar analisa nomeações realizadas em 2025 e cita a secretária Adriana Flosi e o prefeito Franklin Duarte de Lima (PL); prefeituras têm até a semana de 21 de agosto para apresentar esclarecimentos
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O Ministério Público de São Paulo investiga uma possível prática de nepotismo cruzado envolvendo as prefeituras de Campinas e Valinhos, com quatro nomeações para cargos comissionados no centro da apuração. O caso ganhou novos elementos com a identificação de nomes ligados às duas administrações, entre eles Adriana Flosi, Marina Candia Morelli, Thiago Duarte da Silva, Taini Verena de Souza Ribeiro e o secretário de Governo de Valinhos, Rodrigo Paulo Ribeiro. A investigação busca esclarecer se houve apenas nomeações administrativas independentes ou eventual troca de indicações entre os municípios.
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A apuração teve origem em uma representação encaminhada sob sigilo à Promotoria de Justiça de Campinas. O procedimento busca verificar se as nomeações tiveram caráter administrativo independente ou se fizeram parte de um eventual acordo de reciprocidade entre integrantes das duas administrações. A hipótese de nepotismo cruzado, prevista na jurisprudência relacionada à Súmula Vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), precisa ser demonstrada por elementos que indiquem troca ou combinação de favorecimentos.
As nomeações sob investigação
Segundo o documento que deu origem à apuração, o primeiro ato ocorreu em 21 de janeiro de 2025, quando a Prefeitura de Campinas nomeou Thiago Duarte da Silva para o cargo de assessor na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação (SMDETI). Ele passou a atuar no gabinete da secretária Adriana Flosi.
A representação apresentada ao MP sustenta que existem registros públicos apontando vínculo familiar entre Thiago Duarte da Silva e o prefeito de Valinhos, Franklin Duarte de Lima. Essa relação será um dos pontos que precisarão ser esclarecidos pelas administrações e pelo próprio procedimento investigatório.
O segundo movimento ocorreu oito dias depois. Em 29 de janeiro de 2025, a Prefeitura de Valinhos nomeou Fernanda Boselli Rosset Flosi para o cargo de assessora na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
A coincidência entre as datas e os sobrenomes integra o conjunto de elementos apresentados ao Ministério Público. Entretanto, a existência de sobrenome semelhante ou mesmo de parentesco, isoladamente, não comprova a ocorrência de nepotismo cruzado. Será necessário verificar o grau de parentesco, quem fez as indicações e se houve algum tipo de reciprocidade entre as administrações.
O terceiro episódio apontado na representação ocorreu em 29 de setembro de 2025. Naquela data, Campinas nomeou Taini Verena de Souza Ribeiro para a função de coordenadora departamental de Tecnologia e Inovação, também vinculada à SMDETI.
Segundo a representação, Taini mantém relacionamento com Rodrigo Ribeiro, secretário de Governo da Prefeitura de Valinhos. A informação coloca o secretário no centro de uma segunda linha de apuração sobre possível conexão entre as administrações.
O quarto caso
O procedimento instaurado pelo Ministério Público menciona quatro nomeações realizadas em 2025. A identificação completa do quarto ato é fundamental para reconstruir a eventual sequência de indicações e verificar se existe efetivamente um padrão de reciprocidade entre Campinas e Valinhos.
A cronologia apresentada na representação, entretanto, já estabelece uma sequência que chamou a atenção da Promotoria: uma nomeação em Campinas em janeiro, uma contratação em Valinhos oito dias depois e uma nova nomeação em Campinas em setembro.
É justamente essa alternância que deverá ser confrontada com documentos administrativos, relações familiares, vínculos políticos e eventuais contatos entre os envolvidos.
Franklin e Adriana são os principais alvos políticos
A escolha de Adriana Flosi e Franklin Duarte de Lima como reclamados dá dimensão política à investigação.
Adriana comanda uma secretaria estratégica da administração de Campinas, responsável por áreas relacionadas ao desenvolvimento econômico, tecnologia e inovação. Franklin, por sua vez, é o prefeito de Valinhos e responde diretamente pela estrutura administrativa do município.
Caso o MP encontre evidências de que ambos participaram de um acordo para acomodar parentes ou pessoas próximas em cargos comissionados, a apuração poderá avançar para outras responsabilidades administrativas.
Por outro lado, se as administrações demonstrarem que as nomeações seguiram critérios técnicos, que não houve participação dos agentes políticos nas indicações ou que não existe relação de reciprocidade, a hipótese de nepotismo cruzado poderá ser afastada.
O que o MP deve analisar
A apuração terá de ir além dos decretos de nomeação. Entre os documentos relevantes estão processos administrativos, currículos dos nomeados, justificativas para as contratações, salários, organogramas, mensagens institucionais eventualmente juntadas ao procedimento, registros de reuniões e a identificação de quem apresentou cada indicação.
Também será necessário comprovar documentalmente os vínculos familiares ou conjugais mencionados na representação.
Outro ponto importante é a cronologia. A sequência das nomeações poderá ajudar a esclarecer se existiu uma negociação prévia ou se os atos ocorreram de maneira independente.
A legislação e a jurisprudência não permitem concluir pela prática de nepotismo apenas porque duas pessoas ligadas a autoridades diferentes ocupam cargos públicos. O elemento decisivo é a eventual utilização das nomeações como mecanismo de troca de favores.
Prefeituras terão de explicar as contratações
O Ministério Público concedeu prazo para que Campinas e Valinhos apresentem esclarecimentos formais. A data-limite está prevista para a semana de 21 de agosto.
As respostas deverão permitir esclarecer, entre outros pontos, quem indicou os quatro nomeados, quais eram suas qualificações, por que os cargos foram escolhidos, qual era a remuneração e se houve participação direta ou indireta de Adriana Flosi, Franklin Duarte de Lima ou Rodrigo Ribeiro nas contratações.
Também será necessário esclarecer a natureza dos vínculos entre os envolvidos.
Até que esses elementos sejam analisados, não é possível afirmar que houve nepotismo cruzado. O que existe é uma investigação preliminar do Ministério Público motivada por uma representação que identificou possíveis conexões entre nomeações realizadas pelas duas prefeituras.
COMO O MP ESTÁ ANALISANDO A POSSÍVEL TROCA DE NOMEAÇÕES
CAMPINAS
Adriana Flosi
Secretária de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação
↓
Thiago Duarte da Silva
Nomeado assessor da SMDETI em 21/01/2025
↕
PONTO A SER ESCLARECIDO PELO MP
A representação aponta vínculo familiar entre Thiago e o prefeito de Valinhos, Franklin Duarte de Lima (PL).
VALINHOS
Franklin Duarte de Lima (PL)
Prefeito
↓
Fernanda Boselli Rosset Flosi
Nomeada assessora da Secretaria de Cultura e Turismo em 29/01/2025
SEGUNDA POSSÍVEL CONEXÃO
VALINHOS
Rodrigo Ribeiro
Secretário de Governo
↓
Taini Verena de Souza Ribeiro
Companheira, segundo a representação
↓
CAMPINAS
Nomeada coordenadora departamental de Tecnologia e Inovação em 29/09/2025
O QUE O MP PRECISA DESCOBRIR: se as nomeações foram independentes ou se houve indicação recíproca entre os grupos políticos.



