Projeção do governo prevê alta de 7,4% sobre o piso atual; valor ainda depende da inflação acumulada até novembro e será definido no fim do ano
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O salário mínimo poderá subir dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em janeiro de 2027, segundo projeção apresentada nesta segunda-feira (24) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. A estimativa representa aumento de R$ 120, equivalente a 7,4%, e será incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que o governo deverá encaminhar ao Congresso Nacional até 31 de agosto.
A nova previsão é R$ 24 maior que a estimativa de R$ 1.717 apresentada pelo governo na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), enviada ao Congresso em abril. O valor, porém, ainda não é definitivo: o cálculo final dependerá do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro, indicador utilizado na definição da correção do piso nacional.
Segundo Durigan, a política de valorização do salário mínimo continuará garantindo aumento acima da inflação dentro das regras atualmente estabelecidas. “Cumprindo a legislação brasileira, dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai também para a Previdência e para os benefícios sociais que têm indexação no salário mínimo”, afirmou o ministro.
O reajuste tem efeito direto sobre as contas públicas porque benefícios como aposentadorias e pensões do INSS vinculados ao piso, além do Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego e abono salarial, também são afetados pela mudança. A contribuição previdenciária dos microempreendedores individuais (MEIs) igualmente acompanha o salário mínimo.
Ao mesmo tempo, a elevação do piso pode aumentar o poder de compra de trabalhadores e beneficiários que recebem o mínimo. Como esse público tende a destinar parcela significativa da renda ao consumo de produtos e serviços básicos, o aumento pode provocar impacto positivo na atividade econômica.
O efeito sobre as contas do governo, entretanto, é um dos principais pontos de atenção. Quanto maior o salário mínimo, maior tende a ser a despesa com benefícios e programas vinculados ao piso. O governo terá de incorporar esse impacto ao Orçamento de 2027 e administrar o crescimento das chamadas despesas obrigatórias.
A projeção de R$ 1.741 ainda poderá mudar até o fim do ano. O valor definitivo será conhecido depois da divulgação do INPC de novembro, prevista para dezembro. Caso a estimativa atual seja confirmada, o novo salário mínimo começará a valer em janeiro de 2027.
O PLOA, que contém a previsão oficial do governo para receitas e despesas do próximo ano, será analisado e poderá ser alterado pelo Congresso Nacional antes da aprovação do Orçamento. Assim, além da inflação, o valor final do piso estará inserido na discussão parlamentar sobre as contas públicas de 2027.



