IPCA-15 registra deflação de 0,40% em agosto, puxada por energia, combustíveis e alimentos

Destaque

Prévia da inflação oficial acumula alta de 3,09% no ano e 4,24% em 12 meses; tomate, batata e cenoura tiveram fortes quedas, enquanto leite e frutas ficaram mais caros

<OUÇA A REPORTAGEM>

Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp

O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial brasileira, registrou deflação de 0,40% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (26). O resultado fez a inflação acumulada em 12 meses desacelerar de 4,52% para 4,24%, enquanto o índice acumula alta de 3,09% em 2026. É a maior queda para agosto desde o início da série histórica do indicador.

A deflação foi puxada principalmente por Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas. Os três grupos registraram quedas de 1,41%, 1% e 0,57%, respectivamente. Juntos, contribuíram de forma significativa para reduzir o índice do mês e trouxeram algum alívio para o orçamento das famílias.

Na Habitação, o principal impacto veio da energia elétrica residencial, que ficou 6,25% mais barata e sozinha retirou 0,26 ponto percentual do IPCA-15. A redução ocorreu em razão da inclusão do Bônus de Itaipu nas contas emitidas em agosto. Apesar do desconto, a bandeira tarifária amarela permaneceu em vigor, acrescentando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Transportes também contribuíram para a queda. As passagens aéreas recuaram 13,30%, enquanto os combustíveis ficaram 1,43% mais baratos. O etanol teve queda de 3,63%, a gasolina recuou 1,23% e o diesel caiu 0,71%. O gás veicular foi na direção contrária e subiu 1,42%.

ALÍVIO NO PREÇO DOS ALIMENTOS

A alimentação também apresentou redução de preços. O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,57%, enquanto os alimentos consumidos dentro de casa tiveram queda de 0,97%. Entre os produtos que mais recuaram estão o tomate, com redução de 27,38%; a batata-inglesa, que caiu 25,14%; e a cenoura, com queda de 17,05%. O café moído também ficou 2,31% mais barato. O movimento, entretanto, não foi generalizado. O leite longa vida subiu 3,41% e as frutas ficaram 3,11% mais caras. A alimentação fora de casa aumentou 0,42%, com alta de 0,75% nos lanches e de 0,25% nas refeições.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a alimentação dentro de casa foi um dos principais destaques do resultado. “O destaque mesmo vem para alimentação no domicílio. É um alívio bem legal, teve alguns itens importantes na mesa do Brasil que tiveram recuo importante, por exemplo, feijão carioca caiu mais de 2%.”

OUTROS PREÇOS CONTINUAM SUBINDO

Nem todos os setores acompanharam a deflação. Despesas pessoais registrou a maior alta entre os grupos, de 0,66%, influenciada principalmente pelo aumento de 5,56% nos preços dos cigarros após reajuste aplicado em agosto. Educação subiu 0,46%. Os cursos regulares ficaram 0,52% mais caros, enquanto os cursos de idiomas tiveram aumento de 0,92%. Saúde e cuidados pessoais avançou 0,40%, com alta de 0,47% nos produtos de higiene pessoal e de 0,42% nos planos de saúde. Vestuário foi o único outro grupo a apresentar queda expressiva, de 0,20%. Artigos de residência subiu 0,04%, enquanto Comunicação recuou 0,02%.

INFLAÇÃO MENOR PODE AFETAR OS JUROS

O resultado de agosto veio abaixo das expectativas do mercado. Segundo Bruno Perri, as projeções consideradas antes da divulgação variavam entre uma alta de 0,25% e uma queda de 0,30%.

Para o economista, uma inflação abaixo do esperado pode contribuir para reduzir as taxas de juros negociadas pelo mercado nos prazos mais curtos. A valorização do real e o comportamento dos preços do petróleo também podem colaborar para um cenário de menor pressão inflacionária.

O resultado de agosto mostra, portanto, um cenário de alívio pontual: energia, combustíveis, passagens aéreas e diversos alimentos ficaram mais baratos, mas serviços, educação, saúde e alguns produtos continuam pressionando o orçamento das famílias. O comportamento dos preços nos próximos meses será determinante para saber se a deflação representa uma mudança mais consistente na trajetória da inflação ou apenas um movimento temporário.

- Publicidade-spot_img

Outros Artigos

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade-spot_img

Últimos Artigos