
Apuração divulgada pelo ICL Notícias aponta que advogado e deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) atuaram para aproximar o banqueiro do ministro do STF; encontro ocorreu em São Paulo e teria durado cerca de duas horas
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Mensagens e áudios atribuídos a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e divulgados pelo ICL Notícias indicam que o banqueiro se reuniu com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 14 de março de 2025, em São Paulo. Segundo a apuração, o encontro ocorreu em um endereço ligado ao Instituto ITER, fundado por Mendonça, e durou aproximadamente duas horas.
O material analisado pelo ICL Notícias mostra que a aproximação entre Vorcaro e Mendonça teria sido articulada durante semanas pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). As mensagens registram contatos prévios, tentativas de marcar reuniões e referências a uma situação envolvendo o Banco Master e o Banco Central.
Em 8 de fevereiro de 2025, Ciro enviou a Vorcaro uma fotografia em que aparece ao lado de André Mendonça. Na sequência, encaminhou um áudio afirmando que estava “trabalhando” pelo banqueiro e que havia levado o ministro a uma alfaiataria.

As mensagens não esclarecem qual trabalho o advogado dizia estar realizando em favor de Vorcaro nem se existia contrato formal entre eles. O conteúdo, portanto, demonstra a afirmação feita pelo próprio Ciro, mas não permite concluir qual seria sua atuação específica.
Dias depois, em 16 de fevereiro, Ciro voltou a procurar o banqueiro. Segundo as mensagens divulgadas pelo ICL Notícias, o advogado escreveu que André Mendonça queria receber Vorcaro e afirmou que seria “muito importante” que ele comparecesse acompanhado.

Em um áudio de aproximadamente um minuto e meio, Ciro relatou que havia conversado com Mendonça sobre determinado assunto e que teria conseguido deixá-lo “balançado”. Na mesma gravação, mencionou diretamente a situação do Banco Central e afirmou que o ministro já tinha conhecimento do caso.
Segundo o advogado, Mendonça teria sido informado tanto por ele quanto por Cezinha de Madureira. O áudio, porém, não apresenta detalhes suficientes para determinar qual era exatamente a demanda discutida ou qual providência se pretendia obter do ministro.
A documentação também registra uma tentativa de incluir Bruno Bianco Leal em uma reunião. Ex-ministro da Advocacia-Geral da União durante o governo Jair Bolsonaro, Bianco posteriormente passou a atuar como advogado ligado ao Banco Master e à defesa de Vorcaro.

Em fevereiro, Ciro pediu que Bianco chegasse antes do horário de uma reunião para participar de uma apresentação. As mensagens demonstram que o encontro foi programado, mas, segundo a própria apuração divulgada pelo ICL Notícias, não existem elementos suficientes para comprovar de forma conclusiva que Vorcaro e Mendonça tenham efetivamente se encontrado naquela ocasião.
O encontro de março, entretanto, apresenta uma sequência mais consistente de registros.
Em 13 de março, Cezinha de Madureira informou a Vorcaro que havia marcado uma reunião com André Mendonça para as 17h do dia seguinte, em São Paulo. O deputado encaminhou o endereço da Alameda Santos, 647, 16º andar, e afirmou que estaria no local para receber o banqueiro.
No dia 14 de março, pouco antes do horário marcado, Vorcaro avisou Cezinha que estava a caminho. Segundo as mensagens divulgadas, o deputado respondeu: “Ministro já está te esperando”.
As conversas entre Vorcaro e seu motorista reforçam o registro do deslocamento. O banqueiro encaminhou o mesmo endereço ao funcionário e posteriormente informou que estava saindo do local. O cruzamento dos horários indica uma permanência de aproximadamente duas horas.
O conjunto das mensagens é apontado pelo ICL Notícias como evidência de que houve ao menos um encontro presencial entre Vorcaro e Mendonça. Também indica que Cezinha participou da organização da reunião.
O encontro, segundo a apuração, não ocorreu na sede do Supremo Tribunal Federal nem em um gabinete parlamentar. O endereço informado corresponde a uma unidade do Instituto ITER, instituição fundada por André Mendonça.
A circunstância levanta questionamentos sobre a natureza do compromisso, a existência ou não de registro na agenda oficial do ministro, os participantes da reunião e o assunto efetivamente tratado.

As mensagens divulgadas, entretanto, não apresentam uma gravação ou ata da conversa realizada entre Vorcaro e Mendonça. Também não demonstram que o ministro tenha interferido no Banco Central, determinado qualquer providência em favor do Banco Master ou recebido vantagem relacionada ao encontro.
Outro ponto citado na apuração é a relação entre Cezinha de Madureira e Mendonça. O deputado, integrante da bancada evangélica e ligado à Assembleia de Deus do Ministério de Madureira, aparece nas conversas como uma das pessoas responsáveis pela aproximação entre o banqueiro e o ministro.
Cezinha também teria conversado previamente com Mendonça sobre a situação relacionada ao Banco Central, segundo relato feito pelo próprio Ciro em um dos áudios.
O material divulgado pelo ICL Notícias menciona ainda um episódio ocorrido em 25 de agosto de 2026, quando a Polícia Federal apreendeu R$ 510 mil na bagagem de mão de Valéria Linhares, advogada e mulher de Cezinha, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O dinheiro e sua eventual relação com o Banco Master ou Daniel Vorcaro não são estabelecidos pelas mensagens apresentadas na reportagem.
Valéria foi acompanhada pelo advogado Daniel Bialski, que também atua na defesa de Vorcaro. A coincidência na representação jurídica, isoladamente, não comprova qualquer vínculo entre o dinheiro apreendido e o banqueiro.
O conjunto de mensagens revela, segundo a apuração publicada pelo ICL Notícias, uma rede de contatos que aproximou Vorcaro de integrantes do meio político, jurídico e institucional. O ponto central é a existência de uma reunião entre o banqueiro e um ministro do STF em um endereço privado, depois de uma articulação na qual participaram Ciro Rocha Soares e Cezinha de Madureira.
A documentação também registra que a aproximação ocorreu em um momento em que havia questões envolvendo o Banco Master e o Banco Central. Ainda não está esclarecido, porém, qual pedido foi apresentado ao ministro, qual resposta teria sido dada e se alguma providência institucional ocorreu posteriormente.
A existência de uma reunião entre um ministro do Supremo e um banqueiro, por si só, não comprova irregularidade. Para estabelecer eventual conflito de interesses ou qualquer conduta incompatível com as funções públicas, seriam necessários elementos adicionais sobre a pauta do encontro, sua finalidade, eventuais relações profissionais dos envolvidos e possíveis atos praticados posteriormente.
O material divulgado pelo ICL Notícias, portanto, abre uma frente de questionamentos que depende de novas informações. As mensagens documentam a articulação, o agendamento e os indícios de realização do encontro, mas não permitem, até o momento, afirmar que André Mendonça tenha interferido no Banco Central ou adotado alguma medida em benefício do Banco Master.


