Janja entra na disputa pelo voto evangélico e reforça estratégia de Lula para 2026

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No vídeo apresentado durante o lançamento do comitê, Janja afirmou que percorreu diferentes regiões do país nos últimos anos e teve contato com mulheres evangélicas. Foto Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil

Primeira-dama grava vídeo para comitê de apoio ao presidente e resgata valores cristãos; movimento ocorre após pesquisa apontar vantagem de Flávio Bolsonaro entre eleitores evangélicos

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A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, passou a ocupar um espaço mais ativo na estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para conquistar o eleitorado evangélico nas eleições de 2026.

Em um vídeo direcionado ao segmento, Janja destacou valores como solidariedade, igualdade e fraternidade e afirmou que esses princípios fazem parte da trajetória política de Lula.

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A manifestação ocorreu durante o lançamento do comitê “Evangélicos e Evangélicas com Lula”, coordenado pelo PT, na segunda-feira (25). O movimento acontece em um cenário desfavorável para o presidente entre os eleitores evangélicos.

Janja aposta no diálogo com as igrejas

No vídeo apresentado durante o lançamento do comitê, Janja afirmou que percorreu diferentes regiões do país nos últimos anos e teve contato com mulheres evangélicas. Segundo ela, esses encontros permitiram conhecer trabalhos de acolhimento, proteção e assistência realizados por mulheres ligadas às igrejas.

A primeira-dama também reconheceu o papel das igrejas evangélicas como espaços de pertencimento e referência para milhões de brasileiros. Ao defender uma aproximação com esse público, Janja afirmou que valores como solidariedade e igualdade seriam compatíveis com a fé cristã.

A estratégia procura apresentar Lula não apenas a partir de questões políticas e econômicas, mas também por meio de uma linguagem associada à religião e aos valores defendidos por parte do eleitorado evangélico.

Mudança em relação a 2022

A participação de Janja representa também uma mudança de postura em relação à campanha presidencial de 2022. Naquele ano, Lula enfrentou forte resistência entre os evangélicos e precisou ampliar o diálogo com lideranças religiosas. A campanha chegou a produzir uma carta direcionada especificamente ao segmento.

Agora, a estratégia é diferente. Além do vídeo apresentado no lançamento do comitê, Janja passou a participar de ações com linguagem explicitamente religiosa. Ela também apareceu cantando um jingle gospel ao lado do pastor Kleber Lucas antes de atos políticos.

A mudança mostra que o eleitorado evangélico passou a ocupar uma posição central na estratégia eleitoral do grupo de Lula.

Disputa pelo eleitorado religioso

O crescimento do eleitorado evangélico transformou esse segmento em um dos principais grupos eleitorais do país. A identificação de parte dos evangélicos com pautas conservadoras ajudou Jair Bolsonaro a construir uma relação política forte com igrejas e lideranças religiosas durante seus governos e campanhas.

Comitê pretende ampliar presença entre evangélicos

O lançamento do comitê “Evangélicos e Evangélicas com Lula” faz parte dessa tentativa de aproximação. A proposta é reunir religiosos favoráveis à candidatura do presidente e ampliar a presença da campanha no segmento. A estratégia não se limita às lideranças tradicionais. O grupo também pretende dialogar diretamente com mulheres, jovens e integrantes de comunidades evangélicas. A ideia é disputar não apenas o voto, mas também a narrativa sobre os valores que devem orientar o próximo governo.

Frente evangélica declara apoio a Lula

A movimentação também recebeu apoio da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, formada por pastores e teólogos de diferentes regiões. Em carta aberta, o grupo declarou apoio à reeleição de Lula e associou a permanência do presidente no Palácio do Planalto à defesa da democracia e das instituições. O documento também fez críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Segundo a frente, o eleitorado evangélico não deveria apoiar forças políticas que, na avaliação do grupo, atacam instituições, questionam resultados eleitorais ou estimulam a violência.As críticas mostram que o campo evangélico não é politicamente homogêneo.

Embora Flávio Bolsonaro apresente vantagem expressiva nesse segmento nas pesquisas, existem grupos religiosos organizados que defendem abertamente a candidatura de Lula.

A batalha pelo voto evangélico

A eleição de 2026 deverá transformar o eleitorado evangélico em um dos principais campos de disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Os números do Datafolha mostram a dimensão do desafio para o presidente.

A entrada mais ativa de Janja na comunicação com esse público indica que o governo e o PT reconhecem a necessidade de mudar esse cenário. A estratégia agora será descobrir se a aproximação com valores e lideranças religiosas conseguirá reduzir a vantagem de Flávio. A resposta deverá aparecer nas próximas pesquisas — e, principalmente, durante a campanha eleitoral.

O dado deixa claro o tamanho da disputa: para Lula, conquistar parte do eleitorado evangélico pode ser decisivo para ampliar sua competitividade em 2026; para Flávio Bolsonaro, manter essa vantagem significa preservar um dos segmentos eleitorais mais importantes de sua candidatura.

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