
Presidente brasileiro abre debate da 81ª Assembleia Geral nesta terça-feira (22), defenderá multilateralismo e reforma do Conselho de Segurança e terá reuniões com autoridades estrangeiras; eventual encontro com Trump ainda não está confirmado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Nova York neste domingo (20) para participar da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O principal compromisso será o discurso de abertura do debate de alto nível, nesta terça-feira (22), quando deverá defender o multilateralismo, a negociação como instrumento para solucionar conflitos, o respeito ao direito internacional humanitário e a não interferência em assuntos internos dos países.
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A viagem ocorre em um cenário internacional marcado por guerras, disputas diplomáticas e questionamentos sobre a capacidade das instituições multilaterais de responder aos conflitos. Lula deverá aproveitar a tribuna da ONU para voltar a defender uma reforma da organização, especialmente do Conselho de Segurança, cuja composição permanente ainda está concentrada em Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido. O Brasil reivindica há décadas maior representação dos países em desenvolvimento no órgão.
A agenda brasileira na ONU
O discurso de Lula deve retomar uma posição que já apareceu de forma destacada em seus pronunciamentos anteriores na ONU: a necessidade de atualizar a estrutura de governança internacional. Em 2024, o presidente afirmou que a composição da ONU e de seu Conselho de Segurança não corresponde mais à realidade internacional e defendeu mudanças na composição, nos métodos de trabalho e no sistema de veto.
A programação presidencial inclui reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres, além de encontros bilaterais com outros chefes de Estado. Nesta segunda-feira (21), Lula também tem reuniões previstas com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador norte-americano Bernie Sanders, segundo a agenda divulgada nesta segunda-feira.
O encontro com Mamdani tem também dimensão política e diplomática. O prefeito de Nova York é membro do Partido Democrata e assumiu o cargo neste ano. A aproximação entre os dois ocorre em uma cidade que recebe a principal reunião anual da diplomacia mundial.
Trump: encontro permanece sem confirmação
Um dos pontos de maior interesse da passagem de Lula pelos Estados Unidos é a possibilidade de um novo contato com o presidente Donald Trump. Até o momento, porém, não há confirmação oficial de uma reunião bilateral entre os dois presidentes. O Itamaraty informou que não havia encontro previsto.
Trump será o segundo chefe de Estado a discursar na abertura da Assembleia Geral, logo depois de Lula. Isso cria a possibilidade de um encontro informal nos bastidores, mas qualquer contato desse tipo não deve ser confundido com uma reunião bilateral oficialmente programada.
Os dois presidentes tiveram um breve contato durante a Assembleia Geral do ano passado. Na ocasião, Trump afirmou posteriormente que havia ocorrido uma “química excelente” entre os dois. Desde então, os dois líderes tiveram outros contatos.
A relação entre Brasília e Washington ganhou novos pontos de tensão recentemente. Em 18 de setembro, Lula contestou publicamente uma declaração de Trump sobre organizações criminosas brasileiras e rejeitou a classificação das facções como organizações terroristas.
Fome, pobreza e Sul Global
A agenda brasileira não ficará restrita ao discurso presidencial. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante a semana para participar de reuniões do Brics, IBAS, G77, G4, L69, CPLP, Celac e do Consenso de Brasília.
Vieira também presidirá, em 23 de setembro, a reunião ministerial da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil durante sua presidência do G20. No dia seguinte, comandará reunião da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), atualmente presidida pelo Brasil.
O ministro Wellington Dias participará das atividades relacionadas à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, com discussões envolvendo segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional.
A delegação brasileira também participará de reuniões relacionadas à situação da Palestina, à defesa da solução de dois Estados, ao combate à desigualdade, à consolidação da paz e ao direito internacional humanitário.
Uma viagem curta, mas politicamente relevante
Esta será a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral da ONU como presidente da República. Durante seus três mandatos, a única ausência ocorreu em 2010. O retorno ao Brasil está previsto para terça-feira (22), após o discurso.
A viagem acontece, portanto, em uma semana na qual diplomacia internacional e política doméstica se encontram. Lula terá de equilibrar a defesa histórica do multilateralismo e das posições brasileiras sobre conflitos internacionais com uma relação bilateral com os Estados Unidos que atravessa um período de disputas e negociações.
O resultado mais concreto da agenda, porém, dependerá das reuniões bilaterais e dos compromissos assumidos durante a semana. No caso de Trump, até o momento, qualquer novo encontro entre os dois permanece sem confirmação oficial.


