
Imóvel usado como escritório político do ex-vereador foi invadido na noite de domingo (20); documentos foram revirados e dinheiro em espécie não foi levado. Caso ocorre três dias após a prisão de Leite na Operação Vectura Corrupta.
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Um imóvel utilizado como escritório político pelo ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) foi furtado por volta das 21h15 deste domingo (20), na Rua General Bráulio Guimarães, em Santo Amaro, Zona Sul da capital paulista. Os invasores levaram o HD responsável pelo armazenamento das imagens do circuito interno de segurança, mas deixaram no local R$ 19.271 em dinheiro.
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A ocorrência ganhou atenção porque aconteceu poucos dias depois de Milton Leite ser preso temporariamente no âmbito da Operação Vectura Corrupta, investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, que apura suspeitas de vínculos entre integrantes do crime organizado e empresas do setor de transporte público.
HD das câmeras foi levado
Segundo informações da ocorrência, os criminosos entraram no imóvel e reviraram documentos e objetos. Entre os materiais encontrados pelos policiais estavam talões e cartões bancários, Bilhete Único e uma carteira de filiação ao Corinthians que identifica Milton Leite.
O HD que armazenava as gravações das câmeras de segurança foi retirado do sistema e levado. O equipamento pode ser relevante para a investigação do próprio furto, já que as imagens poderiam registrar a movimentação no imóvel antes e durante a invasão.
Apesar de encontrarem R$ 19.271 em espécie, os invasores não levaram o dinheiro. Parte dos documentos e as cédulas foram apreendidas pela Polícia Civil.
A Secretaria da Segurança Pública informou que policiais militares atenderam uma ocorrência de furto em residência. Segundo a pasta, o imóvel estava revirado e havia documentos que identificavam o ex-vereador como proprietário. A perícia foi acionada e o local foi preservado para os trabalhos de investigação.
O caso foi registrado no 11º Distrito Policial. A autoridade policial realiza diligências para tentar obter imagens externas e outras informações que possam ajudar na identificação dos responsáveis.
O fato de o HD ter sido levado, enquanto uma quantia superior a R$ 19 mil permaneceu no imóvel, será um dos elementos a serem esclarecidos pela investigação. Isoladamente, porém, essa circunstância não permite estabelecer a motivação dos invasores ou afirmar qualquer relação entre o furto e a investigação que envolve Milton Leite.
Prisão ocorreu três dias antes
Milton Leite foi alvo de um mandado de prisão temporária na quinta-feira (17), durante a Operação Vectura Corrupta. Depois de permanecer foragido por mais de 30 horas, ele se entregou à polícia na tarde de sexta-feira (18), em Mogi das Cruzes.
A investigação apura suspeitas relacionadas à atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte da capital paulista. Segundo os investigadores, Leite teria participação direta na operação de empresas que estariam sob controle da organização criminosa e seria apontado como proprietário de fato da Transwolff. Essas são alegações da investigação e ainda serão submetidas ao contraditório e à defesa.
Além de Milton Leite, a operação alcançou o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e o ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande Danilo Marco Morgado Silva (PL).
Ao todo, a operação cumpriu 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em municípios da Região Metropolitana e do litoral paulista, incluindo São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
De acordo com a investigação, o grupo teria atuado em diferentes áreas, incluindo empresas de transporte, licitações, articulações políticas e financiamento de campanhas eleitorais. A apuração também investiga a chamada “Sintonia dos Gravatas”, denominação utilizada pelos investigadores para um núcleo de advogados que, segundo a polícia, teria atuação em benefício da organização criminosa.
Milton Leite nega acusações
Desde que se entregou às autoridades, Milton Leite afirma ser inocente. Na saída para o Instituto Médico-Legal (IML), na sexta-feira, o ex-vereador declarou:
“Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na Justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito.” Ao ser questionado se havia algum arrependimento, respondeu: “Só arrepende quem comete crime. Eu não cometi nenhum e nada devo.”
No sábado (19), enquanto permanecia preso, Leite alegou não estar se sentindo bem e pediu atendimento médico pouco antes da audiência de custódia. Segundo uma fonte da investigação, ele “estava na fila da custódia, mas passou mal e foi socorrido antes da audiência”.
A audiência deverá ocorrer de forma virtual. Até o momento, não foram divulgadas informações detalhadas sobre o problema de saúde relatado nem sobre seu estado clínico.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Alexandre Leite, filho do ex-vereador, classificou a prisão como injusta e afirmou que a defesa pretende utilizar o processo para esclarecer as acusações.
“Consideramos essa medida extremamente injusta, mas cabe aos advogados fazer a defesa jurídica. Vejo como uma boa oportunidade de passar essa história a limpo e colocar um ponto final, para que ela não seja reverberada a cada dois anos ou a cada período eleitoral”, declarou.
A investigação sobre o furto do imóvel deverá agora esclarecer quem entrou no local, por qual meio, quais objetos foram procurados e por que o HD das câmeras foi retirado enquanto o dinheiro permaneceu no imóvel. Até que essas diligências sejam concluídas, não há elemento público que permita afirmar que o furto tenha ligação com a Operação Vectura Corrupta ou com a investigação envolvendo Milton Leite.


