
Gaeco aponta estrutura empresarial usada para captar investidores com promessas de alta rentabilidade; investigação também apura possível circulação de recursos ligados ao PCC
Por Sandra Venancio – Jornal Local
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, com apoio da Polícia Militar, deflagrou nesta terça-feira (22) a Operação Paládio para investigar uma organização suspeita de aplicar fraudes financeiras e lavar dinheiro. A Justiça autorizou oito mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão em quatro estados.
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As ordens judiciais foram cumpridas em Campinas, Hortolândia, Paulínia e São Paulo, além de Monte Sião (MG), Cuiabá e Sinop (MT) e Teresina (PI). Segundo informações divulgadas sobre a operação, seis dos oito presos foram localizados na Região Metropolitana de Campinas.
Entre os presos está um policial militar que atuava na região de Hortolândia. A esposa e a filha dele também foram presas por força de mandados judiciais durante a operação.
Falsos investimentos
Segundo o Ministério Público, o grupo investigado teria criado uma estrutura empresarial para captar dinheiro de investidores com promessas de aplicações consideradas seguras e de alta rentabilidade.
As ofertas estariam relacionadas principalmente aos setores imobiliário e do agronegócio. Uma das empresas utilizadas na captação funcionava em Campinas, em um edifício empresarial de alto padrão, estrutura que, segundo a investigação, ajudava a transmitir aparência de credibilidade aos potenciais investidores.
Ainda de acordo com o Gaeco, os investigados utilizavam redes sociais e programas de televisão para divulgar os supostos resultados dos investimentos e atrair pessoas dispostas a aplicar valores elevados.
A investigação aponta que os recursos recebidos não eram destinados aos investimentos apresentados aos clientes. Segundo o Ministério Público, o dinheiro era apropriado pelos integrantes do grupo, provocando prejuízos aos investidores.
Lavagem de dinheiro
Além das suspeitas de fraude, o Gaeco investiga a utilização de empresas controladas pelos integrantes do grupo para movimentar e ocultar recursos de origem supostamente criminosa.
Segundo o Ministério Público, os valores obtidos por meio das fraudes eram misturados a recursos provenientes de outras fontes, o que dificultaria a identificação da origem e o rastreamento das movimentações financeiras.
A investigação também encontrou indícios de que parte dos recursos poderia ter ligação com atividades do Primeiro Comando da Capital (PCC). A suspeita ainda integra a apuração e não representa, neste momento, uma conclusão judicial sobre a origem de todo o dinheiro movimentado pelo grupo.
Operação em quatro estados
A Operação Paládio mobilizou equipes para cumprir simultaneamente as determinações judiciais em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Piauí.
Na Região Metropolitana de Campinas, as diligências ocorreram em Campinas, Hortolândia e Paulínia. A presença de um dos alvos ligados à Polícia Militar entre os presos também levou a investigação a atingir a estrutura familiar do agente, com mandados cumpridos contra a esposa e a filha.
O nome da operação e a extensão das medidas judiciais refletem uma investigação que, além das supostas fraudes contra investidores, procura identificar o caminho percorrido pelos recursos e eventuais conexões com organizações criminosas.
As pessoas presas são investigadas e terão suas responsabilidades analisadas no decorrer do processo. A deflagração da operação e o cumprimento dos mandados não significam condenação.


