Vorcaro, Nikolas Ferreira e mineração: deputada pede investigação ao TCE-MG

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O documento também incorpora o caso de Nathana Lopes Figueiredo e a decisão do ministro André Mendonça que permitiu sua viagem a Dubai. Foto Pablo Valadares/Câmara dos Deputados/Divulgação

Representação de Bella Gonçalves reúne suspeitas sobre empresas ligadas ao ex-banqueiro, negócios minerários em Minas Gerais, áudio de Nikolas Ferreira e viagem de mulher ligada ao caso “Sicário”

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A deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG) apresentou ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) uma representação contra possíveis relações entre o governo de Romeu Zema (Novo), empresas ligadas ao ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro e negócios de mineração no estado. O documento também cita um áudio obtido pela Polícia Federal em que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pede ajuda a Vorcaro para tratar da liberação de um ativo minerário ligado a Thiago Rodrigues de Faria, advogado e ex-assessor do parlamentar. A representação inclui ainda questionamentos sobre Nathana Lopes Figueiredo, mulher que estava com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, quando ele foi preso pela PF.

Relações entre Zema, mineração e empresas ligadas a Vorcaro

A representação apresentada por Bella Gonçalves reúne episódios envolvendo empresas relacionadas ao grupo empresarial de Daniel Vorcaro e decisões administrativas do governo de Minas Gerais.

Um dos casos citados é o da Taquaril Mineração S.A. (Tamisa), responsável por projeto de mineração na Serra do Curral. Segundo reportagem de O Tempo, a representação questiona possíveis relações entre a administração estadual e empresas ligadas a Vorcaro.

A Tamisa já era alvo de questionamentos de Bella Gonçalves antes da representação atual. Em 2023, quando ainda era deputada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, ela participou de requerimento que pediu ao Ministério Público Federal e ao Ibama providências para a suspensão do licenciamento da mineradora na Serra do Curral.

O projeto da Tamisa envolve o Complexo Minerário Serra do Taquaril, na região da Serra do Curral. A atividade minerária na área foi objeto de disputas ambientais, administrativas e judiciais. A representação atual relaciona esses episódios à presença de empresas e fundos associados a Vorcaro no setor mineral.

Segundo levantamento citado por O Tempo, a relação empresarial envolvendo o grupo de Vorcaro alcançou a Tamisa por meio do Victoria Falls Fundo de Investimento, que tinha participação na mineradora. A WJ Consultoria, administrada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também aparece na estrutura societária mencionada.

O áudio de Nikolas Ferreira

Outro ponto central da representação é um áudio enviado por Nikolas Ferreira a Daniel Vorcaro em 30 de março de 2025. A gravação foi obtida pela Polícia Federal durante as investigações envolvendo o Banco Master e posteriormente divulgada pelo ICL Notícias. A Agência Brasil, a CNN Brasil e a TV Brasil confirmaram o conteúdo da gravação. Na mensagem, Nikolas chama Vorcaro de “Dani” e apresenta Thiago Rodrigues de Faria como amigo, advogado e pessoa de confiança.

O deputado afirma que Faria tinha um ativo minerário que já havia passado por análise técnica, mas permanecia pendente dentro de uma empresa. Nikolas então oferece-se para fazer a intermediação com Vorcaro.

Segundo a Agência Brasil, depois do primeiro contato Vorcaro respondeu ao deputado e autorizou que Thiago procurasse por ele. No dia seguinte, Nikolas informou que Thiago estaria em Brasília. Em outro áudio, o deputado pede desculpas a Vorcaro por ter criticado anteriormente um evento promovido pelo Banco Master em Londres. Nikolas afirma que não sabia que o banco pertencia a Vorcaro quando fez a publicação crítica.

O ativo minerário de Ouro Preto

O nome de Thiago Rodrigues de Faria também aparece em informações relacionadas à investigação da Polícia Federal sobre mineração em Minas Gerais.

Segundo reportagem do Estado de Minas, Faria mantinha contrato de intermediação relacionado a uma negociação envolvendo direitos minerários da Mineração Topázio Imperial, em Ouro Preto. A operação envolvia a Gmais Ambiental, empresa que aparece nas investigações da Operação Rejeito. O negócio citado nas reportagens foi estimado entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões.

A investigação da PF apurou suspeitas relacionadas à exploração e comercialização irregular de minério de ferro em Minas Gerais. A Gmais Ambiental aparece entre as empresas investigadas na operação. O vínculo entre o áudio de Nikolas e esse negócio minerário é um dos pontos destacados na representação apresentada ao TCE-MG.

Thiago Faria afirmou que sua atuação era profissional e negou irregularidades. Nikolas também negou ter recebido dinheiro de Vorcaro e afirmou que o contato teve como objetivo ajudar um amigo.

O histórico de voos de Vorcaro

A relação entre Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro já havia aparecido em outra investigação. Em março de 2026, o Estado de Minas informou que Nikolas havia utilizado um avião pertencente a empresas ligadas a Vorcaro durante dez dias em outubro de 2022, período da campanha eleitoral daquele ano. O deputado admitiu ter utilizado a aeronave, mas afirmou que não sabia que ela pertencia ao então banqueiro. Posteriormente, mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostraram o ex-banqueiro afirmando que havia bancado os voos utilizados por Nikolas. A informação foi divulgada em setembro de 2026.

A utilização da aeronave e o contato posterior envolvendo o ativo minerário passaram a ser considerados pela deputada Bella Gonçalves como partes de uma relação mais ampla entre o deputado e o ex-controlador do Banco Master.

Vorcaro e a Serra do Curral

A representação também recupera relações empresariais envolvendo Vorcaro e a mineração na Serra do Curral. O grupo empresarial ligado ao ex-banqueiro manteve participação na Tamisa, empresa que desenvolveu projeto de mineração na região do Taquaril. A Serra do Curral é uma área de proteção ambiental e patrimônio histórico que há anos é palco de disputas envolvendo mineração.

Em 2023, Bella Gonçalves e outras deputadas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais apresentaram requerimento pedindo providências para suspender o licenciamento da Tamisa. O documento apontava questões relacionadas à supressão de Mata Atlântica e ao processo de licenciamento ambiental.

Em 2023, a Assembleia também registrou requerimento para obter informações sobre uma reunião entre a Tamisa e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), incluindo participantes e encaminhamentos do encontro.

Nathana Lopes Figueiredo e o caso “Sicário”

A representação apresentada por Bella Gonçalves também trata de Nathana Lopes Figueiredo. Ela estava com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, no momento em que ele foi preso pela Polícia Federal, em março de 2026.

Mourão aparece nas investigações relacionadas a um grupo chamado “A Turma”, apontado pela PF como uma estrutura utilizada para ações de monitoramento, obtenção de informações e intimidação. Após a prisão de Mourão, Nathana comunicou-se com um delegado da Polícia Federal e informou que pretendia viajar para Dubai. A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal que impedisse a viagem. O ministro André Mendonça, relator do caso, negou o pedido.

Segundo informações divulgadas pela Agência Estado, Nathana afirmou à PF que estava emocionalmente abalada e pediu para prestar depoimento por videoconferência depois de chegar aos Emirados Árabes Unidos. Ela alegou também que precisava viajar porque sua mãe havia fraturado o pé. Não há informação pública no processo sobre eventual retorno de Nathana ao Brasil.

O processo no Supremo

O caso envolvendo Nathana tramitou no Supremo Tribunal Federal sob relatoria de André Mendonça. A Polícia Federal apresentou pedido judicial relacionado à mulher, que passou a integrar uma das frentes das investigações relacionadas ao grupo de Mourão. A viagem para Dubai ocorreu depois da decisão de Mendonça que negou o pedido da PF para impedir a saída do país. Bella Gonçalves cobra informações sobre a situação de Nathana e sobre eventual depoimento prestado por ela às autoridades.

A investigação sobre o grupo de Vorcaro

Daniel Vorcaro é investigado pela Polícia Federal no caso envolvendo o Banco Master e outras operações financeiras. As investigações também passaram a alcançar relações do ex-banqueiro com empresários, políticos e pessoas que atuavam em diferentes setores. No material extraído do celular de Vorcaro aparecem conversas com integrantes da política e pessoas ligadas ao setor empresarial.

No caso de Nikolas Ferreira, os registros incluem o áudio sobre o ativo minerário, conversas posteriores e referências aos voos utilizados pelo deputado.

A representação de Bella Gonçalves

A representação apresentada ao TCE-MG reúne os episódios envolvendo a mineração, as empresas ligadas a Vorcaro, o governo de Minas e as relações de Nikolas Ferreira com o ex-banqueiro.

O documento também incorpora o caso de Nathana Lopes Figueiredo e a decisão do ministro André Mendonça que permitiu sua viagem a Dubai.

Segundo O Tempo, a representação busca analisar em conjunto casos envolvendo empresas relacionadas ao grupo de Vorcaro e possíveis relações com decisões tomadas durante os governos de Romeu Zema e Mateus Simões em Minas Gerais.

A parlamentar sustenta que os episódios podem indicar uma rede de relações entre agentes públicos, empresários e interesses ligados à mineração.

A representação coloca lado a lado três núcleos: os negócios minerários relacionados ao grupo de Vorcaro em Minas Gerais; o contato de Nikolas Ferreira com o ex-banqueiro para tratar de um ativo minerário; e a situação de Nathana Lopes Figueiredo após a prisão de “Sicário”.

O caso agora reúne documentos empresariais, registros administrativos, informações de investigações da Polícia Federal, conversas extraídas de aparelhos eletrônicos e decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal.

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