
Medida compensatória prevê reflorestamento na bacia do córrego do Piçarrão; hospital terá 400 leitos e investimento estimado em R$ 553 milhões
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Por Sandra Venancio – Jornal Local
A construção do novo Hospital Metropolitano de Campinas exigirá a remoção de 508 árvores existentes no terreno destinado ao complexo de saúde. A informação foi divulgada pela Prefeitura nesta quarta-feira (16). Como medida compensatória prevista no licenciamento ambiental, o município programou o plantio de 8,9 mil mudas de espécies nativas da Região Metropolitana de Campinas a partir da primeira semana de outubro.
O reflorestamento será realizado ao longo da bacia hidrográfica do córrego do Piçarrão, em uma área que inclui o quadrilátero e os canteiros das avenidas Prefeito Faria Lima e Prefeito Magalhães Teixeira. Segundo a administração municipal, a iniciativa tem como objetivo compensar os impactos ambientais decorrentes da preparação do terreno onde será construído o hospital, destinado ao atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em procedimentos de média e alta complexidade.
A autorização para a supressão da vegetação foi concedida pela Secretaria Municipal do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade após a realização de um inventário técnico das árvores existentes na área. O levantamento apontou que a maior parte da vegetação não é composta por espécies nativas da região.
Dos 508 exemplares identificados, 273 são espécies exóticas e 46 foram classificadas como invasoras. Outras 185 árvores são nativas da região e quatro já estavam mortas quando o inventário foi realizado.
O levantamento também classificou as árvores de acordo com o porte. Foram identificados 388 exemplares de médio porte, 68 de grande porte e 52 de pequeno porte.
Segundo o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, a retirada da vegetação faz parte da preparação do terreno para a construção do hospital. A área precisa passar por adequações e nivelamento topográfico antes do início dos serviços de estaqueamento e da execução das fundações.
A compensação ambiental prevista pela Prefeitura envolve o plantio de 8,9 mil mudas, número equivalente a quase 17 vezes a quantidade de árvores que serão retiradas do terreno. As espécies utilizadas serão nativas da Região Metropolitana de Campinas e o plantio será concentrado na bacia do córrego do Piçarrão.
A Prefeitura também informou que os resíduos resultantes da retirada das árvores serão integralmente reaproveitados. Troncos, galhos e folhagens serão recolhidos e encaminhados para a Usina Verde de Compostagem do município, onde passarão por trituração e processamento para produção de adubo orgânico.
O material deverá ser utilizado posteriormente na manutenção de parques, praças e canteiros ornamentais de Campinas.
O Hospital Metropolitano está orçado em R$ 553 milhões e será construído em um terreno cedido pelo município. O prazo estimado para a execução da obra é de 36 meses.
O projeto prevê 400 leitos e tem como objetivo ampliar a capacidade da rede pública de saúde para internações e procedimentos cirúrgicos de maior complexidade. A unidade deverá atender moradores de Campinas e também pacientes de municípios da região que utilizam o SUS.
A retirada das 508 árvores ocorre, portanto, como parte da preparação do terreno para uma obra de grande porte, enquanto o plantio das 8,9 mil mudas integra as medidas de compensação ambiental estabelecidas no processo de licenciamento.


