
Pedro Rousseff diz que material poderia ser divulgado antes do primeiro turno, mas afirma existir discussão interna sobre o momento considerado mais adequado; declaração foi feita em entrevista nesta terça-feira (29)
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O candidato a deputado federal Pedro Rousseff (PT-MG) afirmou nesta terça-feira (29), durante participação no programa Fórum Onze e Meia, que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possui vídeos e fotografias que, segundo ele, poderiam comprometer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Rousseff disse que a divulgação do material está sendo discutida internamente e que parte dos integrantes da campanha defenderia a publicação antes do primeiro turno, enquanto outros avaliariam esperar uma eventual segunda etapa da eleição.
A declaração foi feita durante uma conversa sobre a disputa presidencial e sobre as informações divulgadas nos últimos dias pelo ex-sócio de Flávio Bolsonaro, Alexandre Ferreira Dias Santini. Segundo reportagens publicadas sobre o caso, Santini afirma possuir mensagens, áudios, fotografias e documentos relacionados ao período em que manteve amizade e sociedade empresarial com o senador.
Pedro Rousseff afirmou que o material estaria de posse da campanha de Lula, mas não apresentou publicamente, durante a entrevista, os vídeos ou fotografias aos quais se referiu. Também não detalhou quando as imagens teriam sido produzidas, quem as teria obtido, em que circunstâncias foram registradas ou se existe algum procedimento de verificação de autenticidade.
“A gente pode divulgar os vídeos agora. Não tem grande problema com isso. Só que a gente não sabe ainda qual é a matemática por trás disso”, afirmou Rousseff durante a entrevista.
Segundo o candidato, uma das preocupações seria permitir que a campanha adversária tivesse tempo para reagir e apresentar sua própria versão sobre o conteúdo. Ele afirmou que cinco dias poderiam ser suficientes para a elaboração de uma estratégia de resposta.
Rousseff também afirmou existir uma discussão sobre deixar a divulgação para um momento mais próximo do primeiro turno ou até mesmo para uma eventual segunda etapa da eleição. A afirmação, entretanto, não foi acompanhada de documentos que comprovem a existência de uma decisão formal da campanha de Lula sobre o assunto.
A declaração ocorre no mesmo momento em que o ex-sócio de Flávio Bolsonaro, Alexandre Santini, passou a divulgar documentos e mensagens que atribui ao período de convivência com o senador. Entre os materiais publicados pelo PlatôBR estão mensagens relacionadas a encontros privados e uma conversa na qual Flávio menciona “escolhas erradas” e pede que Santini se afaste de sua família.
Essas mensagens, entretanto, não comprovam por si mesmas todas as acusações feitas pelo ex-sócio. A relação entre Santini e Flávio terminou em meio a uma disputa empresarial envolvendo uma antiga sociedade em uma franquia da Kopenhagen. Santini também moveu ação judicial cobrando aproximadamente R$ 1,47 milhão do senador, que nega a existência da dívida.
Material ainda não apresentado publicamente
A afirmação de Pedro Rousseff cria uma questão objetiva para a campanha de Lula: se existem vídeos e fotografias potencialmente relevantes para a disputa presidencial, qual é a origem desse material, quando ele foi obtido e quem realizou a verificação de sua autenticidade?
Também seria necessário esclarecer se as imagens mencionadas pelo candidato têm relação com os arquivos apresentados por Santini ou se constituem um material diferente. Durante a entrevista, Rousseff associou sua declaração às recentes denúncias envolvendo o ex-sócio de Flávio, mas não apresentou elementos que permitam estabelecer documentalmente essa conexão.
Outro ponto é a eventual utilização eleitoral das imagens. A legislação eleitoral estabelece regras para propaganda, divulgação de conteúdo e uso de informações durante a campanha. Caso o material seja efetivamente divulgado, sua autenticidade, contexto e forma de obtenção serão elementos relevantes para avaliar o conteúdo.
A declaração de Rousseff também introduz um componente estratégico na campanha eleitoral: o candidato afirma que existe uma discussão sobre o momento de divulgação do material em função da capacidade de reação da campanha adversária.
“Se a gente coloca os vídeos e as fotos agora, eles ainda têm cinco dias para poder elaborar uma estratégia nova”, afirmou.
O candidato chegou a mencionar a possibilidade de uma divulgação mais próxima do primeiro turno ou durante eventual segundo turno, mas não apresentou uma decisão oficial da campanha de Lula sobre a questão.
Nossa Senhora Aparecida
Na mesma entrevista, Pedro Rousseff afirmou que a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida teria provocado repercussão eleitoral diferente daquela que, segundo sua avaliação, poderia ocorrer com a divulgação de vídeos relacionados à vida pessoal de Flávio Bolsonaro.
O candidato afirmou ter percorrido municípios de Minas Gerais e disse acreditar que o tema religioso teria alcançado especialmente cidades menores do estado.
A declaração se refere à controvérsia envolvendo uma publicação relacionada à padroeira do Brasil que foi utilizada na disputa política nos últimos dias. O episódio também passou a integrar a comunicação eleitoral de grupos ligados ao campo bolsonarista e foi objeto de manifestações públicas de políticos e religiosos.
Pedro Rousseff afirmou que o tema religioso teria grande repercussão em Minas Gerais, estado que possui forte presença de comunidades católicas e evangélicas e grande número de municípios de pequeno e médio porte.
As afirmações sobre o impacto eleitoral, porém, são uma avaliação do próprio candidato e não constituem uma medição independente do comportamento do eleitorado.
O que permanece objetivo é a declaração pública de Pedro Rousseff de que a campanha de Lula teria acesso a vídeos e fotografias envolvendo Flávio Bolsonaro e estaria discutindo o momento de eventual divulgação. Até o momento, no material apresentado na entrevista, não foram exibidas as imagens nem apresentados documentos que permitam verificar sua origem, autenticidade ou conteúdo.
Flávio Bolsonaro, que não respondeu aos questionamentos de jornalistas nesta terça-feira sobre as acusações apresentadas pelo ex-sócio Alexandre Santini, também precisará ser procurado especificamente sobre a nova declaração de Pedro Rousseff.
A campanha de Lula deve ser questionada sobre cinco pontos: se possui efetivamente os vídeos e fotografias citados; qual é a origem do material; se houve perícia ou verificação de autenticidade; se os arquivos têm relação com os documentos apresentados por Santini; e se existe decisão da campanha sobre eventual divulgação antes do primeiro turno.
Sem essas respostas, o dado jornalisticamente comprovável nesta etapa é a própria declaração de um candidato do PT de que o material existe e está em poder da campanha, e não a autenticidade, conteúdo ou eventual impacto eleitoral das imagens mencionadas.


