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Cigarro aumenta o risco de doenças oculares

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O número de brasileiros fumantes caiu de 16,2% para 15,1% entre 2006 e 2010. O dado divulgado pela pesquisa Vigitel do Ministério da Saúde reforça as razões porque 29 de agosto é reconhecido como Dia Nacional de Combate ao Fumo. Uma data de alerta, porque apesar da queda no volume de fumantes, muitos brasileiros ainda estão suscetíveis às consequências do hábito de fumar, que além de problemas respiratórios e cardíacos impactam também a visão.

Embora o tabagismo não seja responsável exclusivamente por nenhuma doença oftalmológica, é considerado fator de risco na incidência e na evolução de uma série de problemas oculares: Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), catarata, glaucoma, Doença de Graves (causada por distúrbios hormonais da tireóide) e todas as doenças oclusivas venosas (veias) e arteriais, enumera o especialista em retina do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), o oftalmologista Sérgio Kninggendorf.

Já a especialista em glaucoma do HOB, Luciana Malta de Alencar, lembra que o tabagismo pode causar alterações vasculares que afetam a saúde ocular. “A trombose dos vasos da retina e dos vasos do nervo óptico são exemplos graves dos efeitos da falta de circulação no olho. Além disso, a fumaça do cigarro, mesmo para os fumantes passivos, é irritativa aos olhos e piora o olho seco”, explica.

Pesquisa – A pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) do Ministério da Saúde constatou que a queda no hábito de fumar foi mais significativa entre os homens, que geralmente, fumam mais do que as mulheres. Conforme o levantamento, entre os homens os fumantes passaram de 20,2% para 17,9% no período abrangido pela pesquisa. Já entre as mulheres, o índice ficou estável em 12,7% nos últimos quatro anos. Pessoas com menor escolaridade (zero a oito anos de estudo) fumam mais (18,6%) em comparação às pessoas mais escolarizadas (10,2%), com 12 anos ou mais de estudo.

As entrevistas telefônicas foram feitas entre 11 de janeiro e 31 de dezembro de 2010 e ouvidos cerca de 54 mil brasileiros em todos os estados.

Diabetes – Entre os fumantes que correm mais riscos de desenvolver a cegueira estão os diabéticos. “O diabetes provoca alterações vasculares com oclusões de pequenos vasos que levam à isquemia da retina e consequente edema e neovascularização (surgimento de novos vasos). O cigarro colabora com as alterações nos vasos assim como aumento o risco de infarto do miocárdio por um mecanismo muito parecido”, explica Kninggendorf.

Dados da OMS estimam que haja 346 milhões de diabéticos no mundo. Só no Brasil, são 7,5 milhões. Uma das áreas mais afetadas com o hábito de fumar, principalmente entre os diabéticos, é a retina. “O fumo provoca doenças vasculares e o olho é um órgão muito vascularizado, principalmente na retina. O diabético tabagista aumenta a incidência de neovascularizações e edema macular, ampliando o risco de doenças vasculares associadas a retinopatia diabética como a trombose venosa, oclusão arterial e glaucoma neovascular”, esclarece o médico. “Qualquer umas destas alterações vasculares, se não tratada em tempo, evolui com piora progressiva e rápida da visão causando cegueira irreversível”, adverte o médico.

O tratamento dos danos causados pelo tabagismo à retina do diabético pode variar, mas sempre vem acompanhado por uma série de cuidados extras. Kninggendorf assinala que “o tratamento é feito com laser, medicamentos ou cirurgias conforme indicação diante da alteração apresentada. Se o problema não for tratado em tempo, a perda de visão pode ser total e irreversível, alerta. Juntamente com o tratamento, é importante haver um controle rigoroso da glicemia, da pressão arterial, do colesterol. A prática de exercícios físicos regularmente, realização de avaliações físicas e médicas periodicamente, além do abandonar do tabagismo também são indicações que precisam ser respeitadas, enumera.

“Mulheres que usam qualquer tipo de hormônio (anticoncepcional, reposição hormonal ou outros) e fumam também vivem sob alto risco de doenças vasculares oclusivas da retina”, adverte o especialista.

Glaucoma – Apesar de não causar o glaucoma, o hábito de fumar acarreta danos ao nervo óptico. “O cigarro não eleva a pressão intraocular, mas pode prejudicar a circulação do nervo óptico. Assim como em outras partes do corpo, o nervo óptico recebe nutrientes e oxigênio pelo sistema vascular. Os efeitos de alterações vasculares na evolução do glaucoma têm sido muito estudados e valorizados nos últimos anos”, explica Luciana Malta de Alencar.

Acredita-se que o conjunto de fatores que leva a má circulação sanguínea no corpo também prejudica a saúde do nervo óptico, o que poderia piorar a evolução do glaucoma. “Os estudos sugerem que o cigarro isoladamente não causa o glaucoma, mas está associado a um maior risco de piora da doença. Por isso, é prudente reduzir ou suspender o tabagismo ao receber o diagnóstico de glaucoma”, aconselha a médica.

Data – Este ano, o Dia Nacional de Combate ao Fumo celebra o tratado internacional, assinado por 172 países, incluindo o Brasil, os quais se comprometeram a aderir às determinações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para reduzir o consumo de cigarro e derivados do tabaco.

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