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Comitê da ONU marca julgamento de Lula contra Moro para maio de 2022

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Comitê indica que já concluiu tanto a avaliação sobre a admissibilidade do caso como a questão do mérito. Porém, a decisão cabe aos 18 peritos do órgão, que se reúnem daqui a sete meses. Na ocasião, deverá ser proferida a decisão final sobre o caso.

 

 

O Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) marcou para maio de 2022 o exame final da queixa apresentada pela defesa do ex-presidente Lula, em 2016, contra o então juiz Sérgio Moro, que atuava de maneira parcial, ferindo o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, do qual o Brasil é signatário.

De acordo com o jornalista Jamil Chade, correspondente do portal Uol em Genegra, o Comitê indica que já concluiu tanto a avaliação sobre a admissibilidade do caso como a questão do mérito. Porém, a decisão cabe aos 18 peritos do órgão, que se reúnem daqui a sete meses. Na ocasião, deverá ser proferida a decisão final sobre o caso.

Em junho deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou Moro suspeito, anulando a condenação contra Lula no processo do tríplex do Guarujá (SP). Em função da suspeição do então juiz, a pena contra Lula no caso do sítio de Atibaia também foi anulada. Desde então, Lula já foi inocentado em 19 inquéritos está livre para concorrer a eleições de 2022.

Antes mesmo do julgamento da suspeição de Moro, o Comitê de Direitos Humanos da ONU já deu a primeira vitória para Lula, em agosto de 2018. O órgão então recomendou às autoridades brasileiras que mantivessem os direitos políticos de Lula, até que o seu caso fosse avaliado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As determinações do comitê internacional, contudo, foram ignoradas, excluindo o ex-presidente das últimas eleições.

 

“Danos irreversíveis”

Segundo Jamil Chade, “a esperança do governo brasileiro era de que o caso jamais fosse aceito para ser avaliado pela ONU”. Dadas as anulações proferidas pelo STF, a alegação seria que a Justiça brasileira estaria dando respostas ao processo. Portanto, não haveria necessidade de recorrer a instâncias internacionais.

No entanto, a defesa alega que existem “danos irreversíveis” contra o ex-presidente, como os 580 dias de prisão e o impedimento da candidatura em 2018. Além disso, alegam que as investigações sobre as violações cometidas por Moro continuam em andamento. Como prova da parcialidade do ex-juiz, citam que ele fez parte do governo Bolsonaro, se beneficiando da condenação imposta a Lula. Citam, inclusive, eventual candidatura de Moro nas próximas eleições.

“Solicita-se, portanto, ao Comitê que proceda ao julgamento dos méritos, fornecendo assim ao povo brasileiro, e a seus advogados profissionais, orientação quanto ao tratamento de tais casos de alto perfil, e um guia para o que as regras da justiça internacional exigem nestas circunstâncias”, dizem a equipe de defesa, segundo a reportagem.

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