
Ana Elisa Santos Silva, de 21 anos, afirma que ataques se intensificaram nas redes sociais; Polícia Civil de Minas Gerais investiga denúncia anterior de ameaças racistas e intimidações contra sua família
<OUÇA A REPORTAGEM>
<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp>
A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, denunciou novas ameaças de morte e estupro na noite de quinta-feira (8), após a repercussão de uma publicação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) que, segundo ela, lhe atribuía uma postagem falsa. Diante do volume de mensagens recebidas, a equipe da parlamentar desativou temporariamente sua conta na rede social X. Ana Elisa afirma que os ataques colocaram sua segurança em risco e pede responsabilização dos envolvidos na divulgação do conteúdo que contesta.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a deputada eleita disse que as ameaças chegavam em intervalos de aproximadamente dois minutos. “Eu acredito que ninguém mereça sofrer ameaça de morte por estar politicamente engajada e tentando defender o que acha melhor para o país”, declarou.
Ana Elisa afirmou que ainda não dispõe de uma estrutura específica de segurança e citou Nikolas Ferreira, Gleidson e Eduardo Azevedo ao atribuir a eles a disseminação do conteúdo que considera falso. A parlamentar pediu que os três sejam responsabilizados caso algo lhe aconteça. As acusações foram apresentadas por ela e precisam ser verificadas, inclusive quanto à autoria e à eventual relação entre as publicações e as ameaças recebidas.
Denúncia anterior inclui ameaças racistas
A nova denúncia ocorre após outro episódio relatado pela parlamentar durante a campanha eleitoral. Segundo informações divulgadas pela revista Fórum, Ana Elisa recebeu, em 5 de setembro, um e-mail com conteúdo racista, ameaças de morte e estupro e intimidações contra familiares.
De acordo com a deputada eleita, o remetente se identificou como integrante de um grupo supremacista branco e mencionou dados pessoais que, segundo ela, indicariam a possibilidade de localizá-la. Trechos da mensagem foram divulgados nas redes sociais.
A equipe da parlamentar informou ter adotado providências policiais e judiciais para tentar identificar o autor. Em nota, classificou as ameaças como manifestações de violência incompatíveis com a participação democrática e afirmou que racismo e violência política de gênero não devem ser tratados como fatos normais da vida pública.
A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou ao portal G1 que a ocorrência relacionada ao e-mail está sob investigação. Até as informações divulgadas, não havia confirmação de que as novas ameaças registradas na quinta-feira já tivessem sido incorporadas ao procedimento policial.
Resultado eleitoral e repercussão política
Ana Elisa recebeu 524.216 votos nas eleições de 2026 para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais, ficando atrás de Nikolas Ferreira na votação estadual, conforme os dados eleitorais citados na reportagem original. O resultado foi divulgado como o maior número de votos já obtido por uma mulher na disputa para deputada federal no estado e fez dela a parlamentar federal mais jovem eleita no país.
A denúncia ocorre em um ambiente de confronto político nas redes sociais, mas a responsabilização criminal depende da apuração dos fatos e da identificação dos autores das mensagens. A divulgação de conteúdo contestado, por si só, não comprova participação nas ameaças. Da mesma forma, a existência de ameaças exige investigação própria para determinar sua origem, autoria e eventual conexão com publicações de terceiros.
O caso reúne três questões distintas que precisam ser esclarecidas: a autenticidade do conteúdo atribuído à deputada, a responsabilidade por sua divulgação e a autoria das mensagens de ameaça. A investigação policial deverá determinar se há elementos que estabeleçam ligação entre esses fatos.


