
Campanhas ampliam vídeos, influenciadores e grupos de WhatsApp para disputar o eleitorado nas redes sociais; aliados dos dois candidatos organizam ações de compartilhamento de conteúdo
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A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou novas frentes digitais na primeira semana do segundo turno das eleições de 2026. Em Brasília, a campanha petista reuniu influenciadores e políticos eleitos para ampliar a presença do presidente nas redes sociais, enquanto aliados de Flávio organizam iniciativas de divulgação de conteúdos favoráveis ao senador e de reação às publicações do adversário.
As duas candidaturas também são acompanhadas por grupos de WhatsApp conhecidos como “Exército do Lula” e “Tropa do Flávio”. Os canais são utilizados por apoiadores para distribuir mensagens, organizar compartilhamentos e ampliar o alcance de publicações. Segundo informações divulgadas pelo G1, integrantes das equipes dos candidatos afirmam que esses grupos não integram formalmente as estruturas oficiais das campanhas.
PT reorganiza estratégia nas redes
A campanha de Lula montou uma estrutura em Brasília para receber influenciadores e jovens políticos eleitos. O grupo se reuniu com o presidente na quarta-feira (7), em uma iniciativa voltada a ampliar a circulação de vídeos e mensagens nas plataformas digitais.
O secretário nacional de Comunicação do PT, Jilmar Tatto, afirmou que a campanha passou a dar mais espaço à comunicação digital após o resultado do primeiro turno.
“Virou a chave da campanha, passamos do analógico para o digital”, declarou.
Tatto também avaliou que o resultado eleitoral levou a equipe a rever a estratégia de comunicação. “Se tivéssemos ficado em primeiro lugar, a campanha teria continuado sendo feita do jeito que estava e não teríamos para onde crescer”, afirmou.
A deputada eleita Ana Elisa (PT-MG) também defendeu maior presença da esquerda nas plataformas digitais. “Obviamente que rede social não é tudo, mas rede social é muita coisa e eu costumo dizer que o único lugar que nós perdemos foi nas redes”, disse, em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews.
A deputada eleita Luna Zarattini (PT-SP) classificou o encontro como o início de uma atuação digital mais coordenada. Entre os objetivos citados por integrantes do grupo está alcançar eleitores que não participaram do primeiro turno.
Propostas sociais entram na estratégia
O deputado eleito Jones Manoel (PSOL-PE) afirmou que parlamentares de esquerda discutiram formas de ampliar o diálogo com eleitores de baixa renda, mulheres e jovens. Entre os temas mencionados estão tarifa zero no transporte público, redução do custo de vida e geração de empregos.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), por sua vez, tem utilizado seu alcance nas redes sociais para mobilizar apoiadores e divulgar iniciativas digitais relacionadas à candidatura de Lula.
Outro nome ligado à mobilização é o deputado federal André Janones (Rede-MG), que administra o canal “Exército do Lula”, criado em abril. O grupo estabelece metas de compartilhamento e distribui conteúdos destinados a ampliar a presença do candidato nas plataformas digitais.
Disputa por alcance e circulação de mensagens
Do lado de Flávio Bolsonaro (PL), aliados também articulam a divulgação de publicações favoráveis ao candidato e respostas aos conteúdos produzidos pelo campo adversário. A iniciativa inclui grupos de apoiadores e ações coordenadas de compartilhamento.
A existência dessas redes evidencia a importância da comunicação digital na disputa eleitoral. Entretanto, o número de seguidores, a quantidade de mensagens compartilhadas e o alcance de uma publicação não demonstram, isoladamente, mudança na intenção de voto ou conversão de eleitores.
Também é necessário distinguir a atuação de apoiadores independentes das ações realizadas oficialmente pelas campanhas. A identificação dos responsáveis por cada canal, a origem dos recursos eventualmente utilizados e a forma de coordenação das atividades são elementos relevantes para avaliar a estrutura dessas mobilizações.
No segundo turno, a disputa digital se soma às agendas presenciais, às declarações públicas e às propostas apresentadas pelos candidatos. O efeito eleitoral dessas estratégias, porém, depende de evidências que permitam medir seu alcance, a interação com diferentes públicos e eventuais mudanças no comportamento dos eleitores.


