
Em sete dias foram em três dias na UFPE; Polícia Federal investiga as causas do incêndio
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Cerca de 200 dissertações e teses de pós-graduação foram afetadas pelo incêndio que destruiu um prédio de pesquisas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite de quarta-feira (7). Segundo a reitoria, laboratórios e equipamentos utilizados em estudos científicos foram consumidos pelas chamas. O prejuízo estimado é de aproximadamente R$ 100 milhões, e a Polícia Federal investiga as causas do incêndio, sem descartar a hipótese de ação criminosa.
Na quinta-feira (8), durante visita ao local, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou a construção de um novo centro de pesquisas, com investimento previsto de R$ 28 milhões, além de recursos para a reposição dos equipamentos destruídos. O governo também informou que serão prorrogadas as bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado dos pesquisadores afetados.
O edifício de dois pavimentos abrigava laboratórios e núcleos de pesquisa nas áreas de informática, educação física, biologia e biomedicina. Entre os estudos desenvolvidos estavam pesquisas sobre câncer, Covid-19, transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), biomecânica, comportamento motor e desempenho esportivo.
Bolsas prorrogadas e parcerias internacionais
Segundo o ministro, estudantes de doutorado que estão na fase final de suas pesquisas poderão participar de um chamamento especial para o Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE). A iniciativa permitirá que parte dos estudos seja realizada em laboratórios de outros países, incluindo Alemanha, Estados Unidos e França, conforme anunciado pelo Ministério da Educação.
A medida também prevê a prorrogação de bolsas de mestrado e pós-doutorado, com o objetivo de evitar a interrupção das pesquisas após a perda dos laboratórios e dos equipamentos.
O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, afirmou que a principal preocupação da universidade é garantir a continuidade dos trabalhos acadêmicos. Além da assistência aos pesquisadores, a instituição informou que disponibilizará apoio psicológico e outros serviços aos estudantes e professores afetados.
A professora e pesquisadora Melissa Leandro Celestino relatou que o incêndio destruiu equipamentos utilizados em estudos de movimento corporal, desempenho humano, biomecânica, atividade física e saúde, além de pesquisas relacionadas ao TDAH e ao autismo.
Polícia Federal reforça perícia
O delegado regional executivo da Polícia Federal, Rodrigo Bastos, informou que peritos especializados do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, serão enviados para reforçar a equipe que trabalha na investigação em Pernambuco.
O objetivo é identificar a origem do fogo e esclarecer as circunstâncias do incêndio. Até o momento, a hipótese de ação criminosa permanece sob investigação, sem confirmação pública de autoria ou motivação.
Terceiro incêndio em uma semana
O incêndio no centro de pesquisas foi o terceiro registrado na UFPE em um intervalo de aproximadamente uma semana.
Em 30 de setembro, um incêndio atingiu um laboratório do Departamento de Física. Segundo o reitor, o fogo teria começado durante um experimento e foi controlado sem registro de feridos.
No domingo (4), outro incêndio atingiu o laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. De acordo com Alfredo Gomes, um curto-circuito no aparelho de ar-condicionado provocou o fogo, que destruiu um freezer utilizado para conservar materiais científicos a temperaturas de até 80 graus Celsius negativos.
A universidade informou que as causas dos dois primeiros episódios foram identificadas. No caso do incêndio de 7 de outubro, a instituição solicitou investigação da Polícia Federal.
A apuração deverá esclarecer as causas do terceiro incêndio e permitir que a universidade dimensione os danos e organize a retomada das pesquisas afetadas.


