Edison Ribeiro rejeita retratação e chama representação de “ditadura” na Câmara de Campinas

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O documento pede que a Corregedoria analise a íntegra da sessão para verificar se as manifestações ultrapassaram os limites da crítica política e configuraram eventual infração ética. Foto Divulgação PMC/CMC

Vereador voltou à tribuna horas após ser alvo de pedido de apuração por possível quebra de decoro e voltou a criticar Aderval Fernandes e Marcos Pereira

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O vereador Edison Ribeiro (União Brasil) voltou à tribuna da Câmara de Campinas na noite desta segunda-feira (28), horas depois de o deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP) e o secretário-chefe de Gabinete do prefeito Dário Saadi, Aderval Fernandes Júnior, apresentarem representação à Corregedoria por possível quebra de decoro parlamentar. Edison afirmou que não pretende se retratar, classificou o procedimento como “ditadura” e voltou a fazer críticas a Aderval.

“Eu não peço desculpa para ninguém. Quando eu falo, eu assino embaixo e reconheço firma no cartório”, afirmou o vereador durante o pronunciamento. Em outro momento, questionou: “Virou uma ditadura? Não podemos falar nada?”.

O vereador também afirmou que Aderval estaria estimulando a atuação de um novo personagem político na região do Campo Grande, área onde Edison mantém atuação política. Ao se dirigir ao secretário, disse: “Você está cutucando a caixa de marimbondo”.

Edison afirmou ainda que continuaria utilizando a tribuna. “Você achou que eu não vim aqui falar hoje, né? Vim. Vim falar, sim”, declarou.

A representação contra o vereador foi protocolada na segunda-feira (28) e tem como origem declarações feitas por Edison durante a sessão de 21 de setembro. O documento pede que a Corregedoria analise a íntegra da sessão para verificar se as manifestações ultrapassaram os limites da crítica política e configuraram eventual infração ética.

Na sessão de 21 de setembro, Edison fez críticas a Aderval e Marcos Pereira. Sobre o secretário, afirmou que ele seria “um dos piores chefes de gabinete que Campinas já teve” e que “não vale nada naquela prefeitura”. Em relação a Marcos Pereira, disse que o deputado teria “caído de paraquedas” em Campinas, perguntou “quem é Marcos Pereira na fila do pão?” e utilizou a expressão “aquela porcaria lá”. As declarações constam da representação apresentada à Câmara.

Antes do pronunciamento de Edison nesta segunda-feira, o vereador Luis Yabiku (Republicanos) leu em plenário uma carta assinada pelos cinco vereadores do Republicanos na Câmara, incluindo o presidente da Casa, Luiz Rossini. O documento foi apresentado em defesa de Marcos Pereira e Aderval e em reação às declarações feitas na sessão anterior.

Edison reagiu à manifestação e chamou o documento de “cartinha”. Ao comentar a posição da bancada do Republicanos, voltou a afirmar que manteria sua atuação na tribuna. No encerramento do pronunciamento, retomou a expressão utilizada contra Aderval: “O cara está cutucando a caixa de marimbondo? Então tem que levar ferroada”.

Edison integra a base do governo Dário Saadi na Câmara. Aderval é secretário-chefe de Gabinete do prefeito e presidente do diretório do Republicanos em Campinas. Marcos Pereira é presidente nacional do partido. A representação foi encaminhada ao corregedor da Câmara, Carlinhos Camelô (PSB), com cópia ao presidente Luiz Rossini.

O pedido apresentado por Marcos Pereira e Aderval não solicita a cassação do mandato de Edison. Os autores pedem a preservação e análise da gravação da sessão, a transcrição oficial das falas e a avaliação, pela Corregedoria, sobre eventual violação dos deveres previstos no Código de Ética da Câmara. Também pedem que sejam lidos em plenário esclarecimentos apresentados pelos representantes.

A representação reconhece a imunidade parlamentar dos vereadores e a possibilidade de críticas relacionadas ao exercício do mandato. O documento sustenta, porém, que cabe à Corregedoria avaliar se as declarações feitas na tribuna permaneceram no campo da crítica política ou configuraram manifestações incompatíveis com as regras éticas do Legislativo.

Em posicionamento divulgado antes da sessão desta segunda-feira, Edison afirmou que seu pronunciamento de 21 de setembro ocorreu no exercício do mandato e durante uma cobrança por providências da Prefeitura. Segundo a manifestação, ele não teve intenção de transformar a cobrança em questão pessoal e, caso alguém tenha se sentido ofendido, manifestou respeito e afirmou não compactuar com ataques pessoais.

Na tribuna, porém, o vereador afastou a possibilidade de retratação e voltou a confrontar publicamente os integrantes do Republicanos envolvidos na representação.

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