Flávio Bolsonaro se cala sobre acusações de festas, orgias, prostituição, rolex e suposta interlocução no STF com Nunes Marques

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Questionado por jornalistas em São Paulo nesta terça-feira (29) sobre o conteúdo da reportagem, o senador não respondeu. Foto STF/Instagram

Relato aponta suposta interlocução de Flávio com ministro do STF em favor de cliente de advogado; mensagem também cita jantar com chefe de gabinete de Kassio. Ministro diz que recebe parlamentares de todos os partidos, enquanto senador não responde aos questionamentos

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques passou a ocupar o centro da controvérsia envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) depois que mensagens atribuídas ao ex-sócio Alexandre Ferreira Dias Santini apontaram uma suposta interlocução entre o parlamentar e o magistrado para tratar do interesse de um cliente. Segundo reportagem publicada pelo PlatôBR nesta terça-feira (29), Santini afirmou em mensagem enviada a Flávio que o senador havia conversado diretamente com Kassio sobre um processo que tramitava no gabinete do ministro. O material também menciona um jantar envolvendo o chefe de gabinete do magistrado.

O episódio ganha peso porque não se trata apenas de uma referência genérica a encontros entre políticos e ministros do Supremo. Na mensagem reproduzida pelo PlatôBR, Santini escreve a Flávio: “Vc falou diretamente com o Kassio Nunes e intermediou um cliente em um processo para tratarem disso”. Segundo a reportagem, o ex-sócio também menciona que o caso estaria relacionado ao advogado Alan Belaciano e afirma que teria sido articulado um jantar com a participação do chefe de gabinete de Kassio. O cliente e o processo não foram identificados nas reportagens consultadas.

A sequência relatada também chama atenção. Depois de receber a mensagem de Santini, Flávio Bolsonaro teria marcado uma reunião com o ex-sócio em seu gabinete. O conteúdo da conversa não foi divulgado. O PlatôBR afirma ainda que, posteriormente, Santini comunicou a pessoas próximas que a disputa com o senador havia sido encerrada. A reportagem não apresenta, contudo, comprovação independente de que a suposta intermediação junto ao ministro tenha efetivamente ocorrido.

Kassio Nunes Marques foi procurado diante das revelações. Por meio de sua assessoria, o ministro afirmou que “atende parlamentares de todos os partidos que defendem interesses distintos” e que essa seria uma prática comum nos gabinetes do Supremo, sem prejuízo da isenção dos magistrados. A resposta confirma a existência do relacionamento institucional com parlamentares, mas não esclarece especificamente o jantar mencionado na mensagem atribuída a Santini.

É justamente nesse ponto que a documentação apresentada pelo ex-sócio levanta uma questão que permanece sem resposta pública: houve apenas uma reunião institucional entre um senador e um ministro do STF ou Flávio Bolsonaro efetivamente procurou Kassio para tratar do interesse de um terceiro em um processo judicial? As reportagens publicadas até agora não permitem afirmar que houve interferência no processo, tampouco demonstram que o ministro tenha praticado qualquer irregularidade.

O material divulgado pelo PlatôBR também apresenta uma nota fiscal referente à compra de um Rolex Submariner Date de ouro branco, no valor de R$ 305 mil, emitida em fevereiro de 2022 em nome do advogado Alan Belaciano. Segundo as mensagens reunidas por Santini e divulgadas pelo site, o relógio teria sido comprado para Flávio. O mesmo advogado teria pago mais de R$ 90 mil em equipamentos de academia instalados na residência do senador em Brasília. Flávio já havia afirmado anteriormente que os equipamentos correspondiam a um empréstimo pessoal feito por um amigo e que o valor estava sendo quitado.

A relação entre Flávio e Santini terminou após o encerramento da sociedade dos dois em uma franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em 2023, Santini ingressou na Justiça para cobrar aproximadamente R$ 1,47 milhão do senador. Ele alegava ter arcado com despesas da empresa e questionava a divisão dos resultados. Flávio negou a existência da dívida. Esse contexto é relevante porque parte das informações agora divulgadas foi reunida pelo ex-sócio durante uma disputa financeira entre os dois.

O acervo apresentado por Santini inclui ainda mensagens e fotografias relacionadas a encontros privados com garotas de programa. Segundo o PlatôBR, parte desse material teria sido apresentada à mulher de Flávio, Fernanda Bolsonaro. Em outra mensagem divulgada pela reportagem, atribuída ao senador, Flávio fala em “escolhas erradas” e pede que Santini se afaste de sua família. O texto, entretanto, não identifica expressamente a quais episódios o senador se referia.

O ponto que permanece sem resposta é a posição de Flávio Bolsonaro. Questionado por jornalistas em São Paulo nesta terça-feira (29) sobre o conteúdo da reportagem, o senador não respondeu. Segundo as publicações consultadas, também não havia sido apresentada, até aquele momento, manifestação específica do parlamentar sobre as acusações envolvendo Kassio Nunes Marques, o Rolex e os demais documentos apresentados pelo ex-sócio.

A ausência de resposta não comprova nenhuma das acusações. Mas deixa sem esclarecimento público perguntas objetivas sobre o episódio envolvendo o STF: quem era o cliente citado por Santini, qual era o processo mencionado, qual foi o papel de Alan Belaciano, se houve efetivamente o jantar com o chefe de gabinete de Kassio e o que foi discutido na reunião posterior entre Flávio e o ex-sócio.

O caso, portanto, reúne três elementos que precisam ser separados: existem mensagens e documentos apresentados por Santini; há uma resposta pública do ministro Kassio afirmando que recebe parlamentares de diferentes partidos; e existe o silêncio de Flávio Bolsonaro diante dos questionamentos sobre o conteúdo divulgado. Até o momento, as reportagens consultadas não apresentam prova independente de interferência de Kassio em processo judicial ou de irregularidade praticada pelo ministro.

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