Haddad questiona Tarcísio sobre apoio à família de Milton Leite, preso em investigação sobre PCC

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A declaração fez referência à participação de Tarcísio no evento de campanha dos filhos de Milton Leite. Foto Agencia Brasil

No debate da Globo, petista citou participação do governador em ato de campanha dos filhos do ex-vereador 19 dias antes da prisão; Tarcísio afirmou que relação com a família Leite é institucional

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O candidato Fernando Haddad (PT) questionou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante o debate da TV Globo realizado nesta terça-feira (29), sobre sua relação política com a família do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), preso no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital paulista. Milton Leite nega envolvimento com o crime organizado.

Haddad recuperou um episódio ocorrido em 30 de agosto, quando Tarcísio participou de um ato de campanha da família Leite para o lançamento das candidaturas de Milton Leite Filho e Alexandre Leite. Na ocasião, o governador falou em uma “parceria enorme” com a família. Dezoito dias depois, a Justiça decretou a prisão de Milton Leite no âmbito da investigação. Ele se entregou às autoridades em 18 de setembro.

Durante o debate, Haddad questionou a decisão de Tarcísio de participar do ato eleitoral e citou a proximidade temporal entre o evento e a prisão do ex-vereador. “Será que ninguém te informou que você não deveria subir no palanque para pedir voto pra uma pessoa que, 15 dias depois, ia ser presa?”, afirmou o candidato do PT. A declaração fez referência à participação de Tarcísio no evento de campanha dos filhos de Milton Leite.

O episódio também levou Haddad a questionar a caracterização feita posteriormente por Tarcísio sobre sua relação com Milton Leite. Após a prisão, o governador afirmou que mantinha com o ex-vereador uma relação institucional. No debate, Tarcísio respondeu às críticas dizendo que os integrantes da família Leite não ocupam cargos em seu governo e afirmou: “Eles não têm nada, absolutamente nada, nem um cargo”.

A investigação que levou à prisão de Milton Leite apura suspeitas de infiltração do PCC em empresas e estruturas relacionadas ao transporte coletivo de São Paulo. Segundo informações divulgadas sobre a operação, foram expedidos 16 mandados de prisão. Entre os investigados está também Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans.

O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça. Em 23 de setembro, o STJ negou liminar em habeas corpus apresentado pela defesa de Milton Leite e manteve a prisão naquele momento. O relator, ministro Rogério Schietti, considerou que o pedido ainda deveria ser analisado pelas instâncias competentes em São Paulo e não identificou ilegalidade manifesta na prisão.

As suspeitas investigadas envolvem o transporte coletivo e possíveis relações entre empresas do setor, agentes públicos e integrantes do crime organizado. Informações divulgadas sobre a investigação apontam que a apuração teve origem em investigações anteriores sobre cooperativas de transporte e posteriormente avançou para possíveis vínculos com empresas de ônibus e estruturas públicas. As acusações ainda são objeto de investigação judicial e não equivalem a uma condenação.

A defesa de Milton Leite nega as acusações. Quando o mandado de prisão foi expedido, o ex-vereador afirmou que não tinha envolvimento com o crime organizado e se apresentou às autoridades. A prisão, portanto, ocorre no contexto de uma investigação ainda em andamento.

Tarcísio também reagiu às acusações de Haddad durante o debate. Em resposta, citou o vereador Senival Moura (PT), que também foi preso em investigação relacionada à lavagem de dinheiro ligada ao PCC. O governador utilizou o caso para questionar a relação do adversário com pessoas investigadas por vínculos com a organização criminosa.

O confronto entre os dois candidatos colocou no centro do último debate antes do primeiro turno uma questão que ultrapassa a disputa eleitoral: as relações entre grupos políticos, empresas do transporte e investigações sobre a atuação do crime organizado em São Paulo. De um lado, Haddad cobra explicações sobre a participação de Tarcísio no ato da família Leite poucas semanas antes da prisão. De outro, o governador sustenta que sua relação com os Leite é institucional e rebate o adversário mencionando outros políticos investigados.

A sequência de datas registrada no caso é objetiva: em 30 de agosto, Tarcísio participou do ato de campanha dos filhos de Milton Leite e falou em “parceria enorme”; em 17 de setembro, a prisão do ex-vereador foi determinada; em 18 de setembro, Milton Leite se entregou; em 23 de setembro, o STJ manteve a prisão; e, em 29 de setembro, o episódio voltou ao centro da disputa durante o debate da Globo.

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