
Presidente brasileiro será o primeiro chefe de Estado a discursar no Debate Geral da 81ª Assembleia; Donald Trump falará na sequência
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa nesta terça-feira (22), em Nova York, na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O pronunciamento está previsto para começar às 10h, no horário de Brasília. Pela tradição mantida desde 1955, o Brasil abre a sessão de discursos dos chefes de Estado, seguido pelos Estados Unidos.
A agenda internacional deve ocupar o centro do discurso de Lula, que deverá defender o multilateralismo, o respeito ao direito internacional e ao direito internacional humanitário, além da negociação como caminho para a solução de conflitos. A posição brasileira também inclui a defesa da não interferência em assuntos internos de outros países.
A reforma da ONU, especialmente do Conselho de Segurança, deve aparecer entre os temas abordados pelo presidente. O Brasil defende há anos mudanças na composição e no funcionamento do órgão, argumentando que sua estrutura atual tem dificuldades para responder aos conflitos e às transformações da ordem internacional.
A 81ª Assembleia Geral reúne representantes dos 193 Estados-membros entre 22 e 28 de setembro. O tema desta edição é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
Encontros em Nova York
Antes do discurso, Lula manteve uma série de reuniões bilaterais em Nova York. O presidente também se encontrou com o secretário-geral da ONU, António Guterres, cujo mandato está em fase final.
Outro encontro foi com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, do Partido Democrata.
Esta é a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral da ONU como presidente da República. Em seus três mandatos, ele não participou da edição de 2010.
Trump falará depois de Lula
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será o próximo líder a discursar na abertura do Debate Geral. A programação coloca os dois presidentes no mesmo ambiente diplomático em um momento de diversas crises internacionais.
No ano passado, Lula e Trump tiveram um breve encontro nos bastidores da Assembleia Geral. Desde então, os dois líderes voltaram a se reunir em outras ocasiões.
A agenda de Trump nesta edição da Assembleia ocorre em meio a negociações e tensões envolvendo conflitos internacionais, incluindo a guerra na Ucrânia e a situação no Oriente Médio.
Agenda brasileira
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante a semana e participará de reuniões ministeriais de diferentes grupos e organismos internacionais, incluindo Brics, Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), G77, G4, L69 e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Também estão previstas reuniões relacionadas à Celac e ao chamado Consenso de Brasília.
Mauro Vieira presidirá ainda duas reuniões ministeriais. Nesta quarta-feira (23), participa do encontro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. No dia 24, comandará a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).
O Brasil ocupa atualmente a presidência da Zopacas, após a reunião ministerial realizada em abril deste ano. O mandato brasileiro na organização será de três anos.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também participa de atividades em Nova York relacionadas à segurança alimentar, proteção social, financiamento do desenvolvimento e cooperação internacional.
A delegação brasileira ainda terá participação em reuniões sobre a situação da Palestina e a solução de dois Estados, desigualdade, consolidação da paz e direito internacional humanitário.
Entre os integrantes da comitiva brasileira estão ainda a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros.
A programação oficial da ONU prevê o Debate Geral de 22 a 26 de setembro e novamente em 28 de setembro, reunindo chefes de Estado e de governo para apresentar suas prioridades diante dos principais desafios internacionais.
Por Sandra Venancio – Jornal Local


