20.8 C
Campinas
terça-feira, julho 21, 2026
spot_img

MP faz operação contra rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC em São Paulo

Data:

Investigação aponta que organização atuava como estrutura financeira clandestina para ocultar recursos do crime organizado; Justiça expediu 18 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão

<OUÇA A REPORTAGEM>

<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp>

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagrou, na manhã desta terça-feira (21), uma operação para desarticular uma organização financeira clandestina suspeita de lavar dinheiro para integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e outros grupos criminosos. A ação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cumpriu 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

OPERAÇÃO

De acordo com o Ministério Público, a investigação identificou uma estrutura responsável por dar aparência de legalidade a recursos provenientes de atividades ilícitas. Os operadores financeiros recebiam grandes quantias em dinheiro vivo e realizavam transferências por meio de empresas de fachada, simulando operações comerciais e cobrando comissões pelo serviço de lavagem de capitais.

Entre os investigados está Alexandre Salles Brito, conhecido como “Buiu”, apontado como responsável por movimentações financeiras de grande volume. Segundo os promotores, ele integrava a rede que oferecia serviços de “bancarização” clandestina para integrantes do crime organizado.

As investigações também identificaram que Leonardo Monteiro Moja, conhecido como “Léo do Moja” ou “Léo do Moinho”, apontado pelas autoridades como um dos chefes do PCC, era um dos principais clientes da estrutura financeira. Preso em 2024 durante a Operação Salus et Dignitas, ele é acusado de comandar o tráfico de drogas na Favela do Moinho, na região central da capital paulista.

Segundo o Gaeco, os operadores realizavam a compra de bens em nome de terceiros para ocultar o patrimônio de integrantes da facção, utilizando recursos pagos em dinheiro vivo. Dessa forma, os criminosos conseguiam adquirir imóveis e outros bens sem que seus nomes aparecessem nas transações.

A investigação também revelou a suposta atuação da organização em conflitos particulares. Um dos casos citados pelo Ministério Público envolve uma disputa por imóveis de alto padrão na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista. Conforme os promotores, integrantes da facção teriam sido acionados para intermediar o conflito em favor do empresário Cléber Azevedo dos Santos, evidenciando a relação entre o empresário e a estrutura financeira investigada.

Outro elemento considerado relevante para o avanço das investigações foi a obtenção de gravações de áudio feitas por um integrante do chamado “tribunal do crime”, mecanismo utilizado pelo PCC para julgar e disciplinar seus membros. Os registros, com duração de até uma hora, trazem informações sobre a estrutura da facção, histórico criminal de integrantes, conexões internas e regras de funcionamento da organização.

Como medida para interromper a movimentação financeira do grupo, o Ministério Público requereu o bloqueio de até R$ 10 milhões em bens e valores mantidos por pessoas físicas e empresas apontadas como integrantes do esquema. O pedido foi acolhido pela Justiça.

Os investigados responderão pelos crimes que forem apurados no decorrer da investigação, respeitados o contraditório e a ampla defesa. Até a publicação desta reportagem, as defesas dos citados não haviam se manifestado sobre as acusações.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Estudo e sequelas da Covid podem elevar impacto da pandemia para mais de 2 milhões de mortes no Brasil

Pesquisadora afirma que estimativa considera óbitos provocados pela fase...

PF deve concluir em agosto inquérito sobre supostas fraudes no Banco Master

Investigação apura crimes financeiros, possível atuação de agentes políticos...

Sargento da PM é preso após levar capitã já morta a hospital em Belo Horizonte

Policial militar foi autuado em flagrante após equipe médica...

Operação Metástase combate quadrilha suspeita de roubar medicamentos contra o câncer em quatro estados

Investigação aponta que organização criminosa movimentou R$ 33 milhões...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade