Ex-chefe da Fazenda de SP é preso; gravação cita sauna para lavar dinheiro

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O advogado João Buttini, Andre Weiss e Paulo Sérgio Siqueira do Prado — Foto: Reprodução

André Weiss é suspeito de participar de esquema de corrupção envolvendo créditos tributários; investigação aponta milhões em propinas

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O ex-diretor-geral da Administração Tributária de São Paulo, André Weiss, foi preso preventivamente nesta quinta-feira (3), durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo servidores da Secretaria da Fazenda.

Uma gravação feita em julho de 2023 registra Weiss falando sobre a possibilidade de comprar uma sauna para receber dinheiro em espécie e lavar recursos. Na mesma conversa, ele demonstra preocupação com a exposição de patrimônio e cita uma Mercedes de aproximadamente R$ 250 mil.

Segundo o MPSP, o áudio foi periciado e sua integridade foi confirmada. A gravação foi encontrada no celular de um auditor fiscal preso na Operação Ícaro, em 2025.

Milhões em propina

O ex-delegado tributário Paulo Sérgio Siqueira Prado, que firmou acordo de colaboração premiada, afirmou ter recebido cerca de R$ 13,6 milhões para agilizar pedidos de ressarcimento de créditos tributários. Desse total, segundo o colaborador, aproximadamente R$ 4,5 milhões teriam sido repassados a Weiss, em dinheiro vivo transportado em mochilas. Prado também afirmou que pagava R$ 250 mil por mês a Weiss para que permanecesse no comando da Delegacia Regional Tributária do Butantã.

Documentos manuscritos apreendidos pelo MPSP também indicariam a divisão de valores. Uma anotação atribui a Weiss uma parcela de aproximadamente R$ 747 mil relacionada a um processo envolvendo a Via.

Investigação reúne outras provas

A Justiça considerou que as suspeitas não estão baseadas apenas no depoimento do colaborador. O caso também reúne gravação periciada, documentos, dados bancários, movimentações financeiras e relatórios de inteligência.

Weiss e o advogado João André Buttini de Moraes foram presos preventivamente. Outros seis servidores públicos foram afastados de suas funções.

Os investigados são suspeitos de crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

A Secretaria da Fazenda informou que colabora com o MPSP desde a Operação Ícaro e afirmou que já demitiu cinco envolvidos, exonerou um servidor e afastou outros 17 sem remuneração.

A pasta também informou que empresas relacionadas às investigações já foram autuadas, com mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros constituídos.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos e reconstruir o caminho do dinheiro.

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