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sexta-feira, junho 12, 2026
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Operação prende 11 envolvidos em fraude de vistos para os EUA

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Onze pessoas foram presas e sete são procuradas após a realização da Operação Anarquia, desenvolvida em conjunto entre a Polícia Civil de São Paulo, o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP), e o Consulado dos Estados Unidos, nesta segunda-feira (07). O grupo detido faz parte de uma quadrilha internacional que aplicava golpes em brasileiros que tinham o sonho de trabalhar e morar nos Estados Unidos. O MP suspeita que mais de 9.000 pessoas tenham sido vítimas do esquema, que pode ter proporcionado um lucro de mais de R$ 18 milhões.O setor anti-fraude do consulado americano notou que, desde 2002, o perfil dos pedidos para visto de trabalho havia mudado. “Anteriormente, os pedidos tinham como característica o trabalho temporário em pontos turísticos como a Disney. Porém, de 2002 em diante, empresas dos mesmos donos começaram a pedir grande quantidade de trabalhadores”, explicou a promotora de Justiça do Gaeco, Aline Jurca Zavaglia Vicente Alves.

No ano passado, o consulado acionou o MP. Assim, com a ajuda dos policiais civis do Departamento de Investigações de Registros Diversos (Dird), as investigações começaram.

O grupo mantinha uma agência de empregos internacionais em Cuiabá (MT), São Paulo e em Curituba (PR), que oferecia empregos nos Estados Unidos com salários de US$ 15 a hora. “As lojas estavam em locais de alto padrão, e usavam jornais e internet para divulgar o serviço”, disse a representante do Gaeco. O interessado deveria pagar R$ 10 mil pela vaga.

As empresas, que não têm patrimônio, mudavam de nome diversas vezes. “Há três nomes que foram os que ficaram por mais tempo: Work USA, Job USA e TWSO; sendo que o segundo nome mudou para Job Tour e Job Express”, lembrou Alves.

Na operação realizada na madrugada de hoje, foram presos M.C.F., A.F., G.M.S., A.F., W.S.S., A.M.G., J.G.R.C., E.L.F., M.M., S.I.S. e E.T.O. Todos integrantes do grupo, presos em diversos Estados, serão reunidos em São Paulo. Dos sete fugitivos, quatro estão nos Estados Unidos.

Apesar de o grupo ser em grande parte brasileira, o crime não se restringe ao país. Há registros do mesmo golpe ser praticado na Rússia, Romênia e nos Emirados Árabes. “Algumas pessoas que são réus nessa ação penal já são procuradas pela Interpol por crimes parecidos na República Tcheca”, expôs a promotora.

Atuação do grupo
Nos Estados Unidos, antes de contratar um estrangeiro, o responsável pela vaga deve pedir autorização ao Senado, por meio de seu advogado. Com essa permissão, o governo americano manda um documento para a embaixada, e o advogado manda uma cópia para as agências de emprego.

A quadrilha atuava em duas etapas: a primeira era no pedido da vaga ao Senado – o advogado aumentava o número de funcionários sem o empregador saber. Assim, os políticos americanos aprovavam um número maior de vagas. A segunda etapa acontecia no Brasil. As agências recebiam o pedido e aumentavam ainda mais o número de vagas.

A entrevista para o visto, realizada no Consulado Americano e marcada pela agência, só era feita após o pagamento total dos R$ 10 mil. Ao chegar à repartição americana, grande parte dos candidatos tinham seu visto negado. “O grupo acompanhava as vítimas ao consulado, e dava orientações para que a pessoa não reprovasse na entrevista para o visto”, contou a promotora, que descreveu um caso que descobriu. “Checamos que em um hotel onde havia a necessidade de dez pessoas para trabalhar, havia petição para 300”.

Nos Estados Unidos, as vagas pedidas pelo empresário eram preenchidas, e uma grande parte do grupo de brasileiros que lá chegava ficava desempregada. “Nos EUA, não há registro da ocorrência. Pois sem emprego, o trabalhador passou a ser um imigrante ilegal que sofria ameaça do grupo”, explicou a representante do Gaeco, que completou, falando sobre os empregos conquistados por poucos: “Grande parte das vítimas tem conhecimento técnico e, ao chegar, a função era inferior do que haviam prometido”.

As investigações continuam. Todos os presos na operação serão indiciados por formação de quadrilha e estelionato, e os produtos apreendidos periciados no Instituto de Criminalística (IC). “Existe pedido de bloqueio de bens na lei de lavagem de dinheiro, visando ressarcimento das vítimas”, adiantou a promotora.

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