Comentários nas redes sociais relacionam as críticas à qualidade do serviço na região com integrantes da família Bortolotto, ligada à Coletivos Pádova
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As reclamações sobre a qualidade do transporte público em Campinas, especialmente entre moradores de Sousas, passaram a ganhar também um componente político nas redes sociais. Em comentários publicados por usuários, críticas às condições dos ônibus, aos horários e à prestação do serviço são acompanhadas de questionamentos sobre uma suposta ligação familiar da vereadora Débora Palermo (PL) com a família Bortolotto, ligada à Coletivos Pádova.
A Coletivos Pádova aparece vinculada ao Consórcio Urbcamp, responsável pela Área 3. A região inclui Sousas e outras áreas importantes de Campinas. Portanto, a discussão não envolve uma empresa sem relação com o cotidiano dos moradores: trata-se de uma das concessionárias que participam da operação do transporte coletivo municipal.
Nos comentários nas redes sociais, moradores passaram a questionar se a suposta relação familiar poderia explicar uma eventual ausência de manifestações mais contundentes da vereadora sobre os problemas enfrentados pelos usuários. Essa associação é feita pelos próprios internautas e não constitui, por si só, prova de qualquer irregularidade ou conflito de interesses.
A informação que circula é de que uma irmã de Débora Palermo seria casada com Hélio Bortolotto, integrante da família ligada à Pádova. O parentesco e sua relação com a estrutura societária da empresa são confirmados por documentos públicos.
Reclamações dos usuários
A insatisfação com o transporte aparece frequentemente nas manifestações de usuários, especialmente em relação a condições da frota, lotação, horários, intervalos e qualidade do serviço. Em Sousas, onde a Pádova atua, as reclamações acabam colocando a empresa no centro das discussões dos moradores. É nesse ambiente que surgem os comentários pedindo providências da vereadora.
A reportagem demonstra que moradores passaram a relacionar publicamente as condições do transporte com o suposto vínculo familiar da vereadora com pessoas ligadas à empresa.
Nova concessão coloca assunto no centro das atenções
A discussão ganha importância justamente no momento em que Campinas se prepara para uma nova etapa da concessão do transporte público.
Depois de uma longa disputa envolvendo o processo licitatório, a Prefeitura informou que pretende republicar o edital na primeira quinzena de outubro e voltar à B3 em dezembro. A administração afirma que parte da modelagem anterior poderá ser reaproveitada, desde que permaneça válida após as determinações do Tribunal de Contas.
A nova concessão deverá definir as regras do transporte coletivo para os próximos anos e, consequentemente, terá impacto direto sobre empresas que já atuam no sistema e sobre milhares de passageiros.
Nesse contexto, a participação do Legislativo municipal e a fiscalização sobre a qualidade do serviço ganham importância ainda maior, e usuários cobram o papel do vereador de fiscalizar o Executivo, principalmente com o transporte público, que coloca em risco a vida das pessoas.
Por isso, diante dos comentários publicados por moradores, algumas perguntas são legítimas e podem ser respondidas documentalmente: quais proposições, requerimentos ou fiscalizações a vereadora apresentou sobre o serviço?
Enquanto isso, os moradores de Sousas continuam utilizando diariamente o sistema que está no centro da discussão. A nova concessão promete redesenhar o transporte de Campinas, mas as críticas dos usuários mostram que o debate não é apenas sobre o contrato que virá. É também sobre a qualidade do serviço que existe hoje e sobre a transparência de todos os agentes públicos e privados envolvidos nas decisões que definirão o futuro do transporte.



