
Ex-candidato do Novo recebeu R$ 4,78 milhões, incluindo R$ 3,14 milhões do diretório nacional do partido; prestação de contas registra R$ 1,7 milhão entre recursos recebidos e despesas declaradas
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Ricardo Salles (Novo) desistiu nesta segunda-feira (28) da candidatura ao Senado por São Paulo, a seis dias da eleição, depois de ter recebido R$ 4.788.500 em recursos de campanha e declarado despesas de R$ 3.069.735,42. A diferença entre os valores recebidos e os gastos registrados chega a aproximadamente R$ 1,72 milhão.
A desistência foi anunciada ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e dos candidatos Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), aos quais Salles declarou apoio. Segundo as declarações feitas no anúncio, a decisão buscou concentrar votos em dois candidatos do mesmo campo político.
Apesar da retirada da candidatura, o nome, número e fotografia de Salles deverão permanecer na urna eletrônica, porque o sistema eleitoral já havia sido fechado. Segundo informações divulgadas sobre as regras eleitorais, os votos eventualmente registrados para Salles serão considerados nulos e não serão transferidos para Derrite, André do Prado ou qualquer outro candidato.
R$ 4,78 milhões recebidos
De acordo com a prestação de contas apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral, Salles havia recebido R$ 4.788.500 em recursos para a campanha. Desse total, R$ 3.146.000 foram repassados pelo Diretório Nacional do Novo. Segundo a prestação de contas citada na reportagem, esses recursos são provenientes do Fundo Eleitoral. Outros R$ 670 mil foram repassados pelo diretório estadual do partido e aparecem como doações de campanha provenientes de pessoas físicas. A prestação de contas também registra R$ 972.500 em doações de pessoas físicas. Até 28 de setembro, as despesas declaradas somavam R$ 3.069.735,42. Com isso, a diferença entre os recursos recebidos e as despesas registradas era de aproximadamente R$ 1,719 milhão. O destino dessa diferença ainda não havia sido informado pelo ex-candidato.
Procurado sobre a prestação de contas e sobre eventual devolução de recursos, Salles declarou que “a campanha foi feita de forma exemplar e as despesas estão todas devidamente registradas”.
Onde o dinheiro foi gasto
Entre as despesas declaradas estão R$ 893 mil em materiais gráficos de campanha. A campanha também registrou aproximadamente R$ 400 mil em impulsionamento de conteúdo nas redes sociais e outros R$ 269 mil em pagamentos ao Facebook relacionados à divulgação.
Foram ainda declarados cerca de R$ 250 mil para contratação de advogados, R$ 140 mil em consultoria e gestão estratégica de comunicação eleitoral e R$ 139 mil em locação de veículos.
Os valores integram a prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral e ainda estão sujeitos à análise do processo de prestação de contas.
O que acontece com os recursos que sobraram
A existência de aproximadamente R$ 1,7 milhão entre recursos recebidos e despesas declaradas não significa, por si só, que esse valor permanecerá com Salles ou com a campanha.
O destino dos recursos depende da prestação de contas e das regras aplicáveis a cada fonte de financiamento. No momento da desistência, Salles não havia informado publicamente, segundo a reportagem, se haveria devolução aos doadores ou ao Fundo Eleitoral.
A diferença também não deve ser confundida automaticamente com lucro ou dinheiro disponível para uso pessoal. Trata-se da diferença entre receitas de campanha declaradas e despesas registradas até a data considerada na prestação de contas.
A saída de Salles e a disputa pelo Senado
A desistência ocorreu em uma disputa por duas cadeiras do Senado por São Paulo. Nas pesquisas divulgadas antes da retirada da candidatura, Salles aparecia atrás dos quatro candidatos que concentravam as primeiras posições.
O Datafolha divulgado em 24 de setembro registrou Marina Silva (Rede) com 15%, Simone Tebet (PSB) com 14%, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) com 12% cada. Salles aparecia com 4%.
Esses levantamentos não permitem medir o efeito da desistência porque foram realizados antes do anúncio de Salles. Uma pesquisa feita integralmente após a retirada da candidatura será necessária para verificar como os eleitores passaram a se posicionar diante da nova composição da disputa.
Marina e Tebet reagem
A desistência provocou manifestações de Marina Silva e Simone Tebet. Marina criticou publicamente a decisão, enquanto Tebet também se manifestou sobre o apoio declarado por Salles a Derrite e André do Prado. As duas candidatas estão entre os nomes que apareciam nas primeiras posições dos levantamentos anteriores à desistência.
No entanto, os votos declarados anteriormente a Salles não podem ser tratados como votos que serão automaticamente transferidos para os dois candidatos apoiados por ele. Além disso, como o nome de Salles continuará aparecendo na urna, eventuais votos registrados para sua candidatura serão considerados nulos.
A campanha, portanto, entra na reta final com uma alteração formal na lista de candidatos, mas sem que as pesquisas realizadas antes da desistência possam indicar, por si só, como os eleitores redistribuirão suas escolhas.


